Mais um livro para minha filha quando crescida, O Conto da Aia.

O Conto da Aia

Revirado no meu estômago, está esse livro, e EU NÃO O RECOMENDO PARA QUEM NÃO CULTIVA O HÁBITO DE LER.
Não recomendo porquê talvez tenha sido um dos mais difíceis que li ultimamente.
Não recomendo porque as primeiras 190 páginas são arrastadas, pesadas, doloridas, num vai e vem constante de narrativa temporal confusa, repleta de absurdos e abusos repetidos.
Não recomendo porquê exige da gente uma atenção imensa para entender o que realmente se passa. Difícil digerir. Difícil segurar a indignação. Nessas 190 páginas iniciais ficamos tão perplexas e desnorteadas qto a própria narradora diante de tanta desfaçatez. Essa toada é reflexo de como ela sente a cada episódio que vive. E deve ser justamente esse o objetivo da autora. A gente se envolve e enlouquece junto. Penso que esse ritmo talvez seja para reforçar perplexidade que deve se fazer presente ao nos depararmos com histórias assim. Histórias que parecem ficção, mas que não deixam de ser sombra que ronda o doido mundo atual em que vivemos.

Sem dúvida é um livro que jamais sairia da cabeça de um homem.

Depois das 190 páginas iniciais as coisas evoluem num ritmo mais rápido, aí não conseguimos mais largar o livro até acabar. Nos confrontamos com situações onde desespero, desalento, tormento, solidão e a desesperança empurram a personagem num cadenciamento incômodo rumo um abismo pré-anunciado.
E pensamos, o que eu faria numa situação limite dessas?

Ler esse livro me lembrou outro, que li há uns 20 anos atrás, sobre uma princesa árabe: Princesa – A Historia Real Da Vida Das Mulheres Árabes Por Tras De Seus Negros Véus, de Jean P. Sasson. Senti o mesmo gosto amargo e revolta ao ver o feminino e as liberdades individuais massacradas e negadas. Um é real. O outro até que poderia ser.

E sem dúvida, embora eu não recomende a leitura dele para quem não goste de ler, desejo muito que todas nós, mulheres, tivéssemos disposição e coragem de lê-lo até o fim. E desejo que minha filha, que vai ser umas das raras de sua geração ainda que cultivará o hábito de ler coisas difíceis (esperoooo), o leia, quando tiver maturidade para tanto. Para que o vislumbre do que pode chegar a ser, de mais absurdo, não deixarmos nunca acontecer. Que nossas conquistas nunca retrocedam. Nunca. Nem um milímetro, pois tempos de liberdade são tempos frágeis. E estamos em tempos desses.

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Sobre as intoxicações eletrônicas na primeira infância

Em 2010, qdo Júlia nasceu eu ainda não tinha um Smartphone, mas um Ipod com acesso a internet me ajudou a não enlouquecer. Eu também tinha um Ipad “bem legal”, que qdo ela começou a firmar o corpo e “ver” algo, eu apresentava a ela com a Galinha Pintadinha tendo a impressão de que estava movimentando algo bom e positivo no nosso dia tão linear. E é sobre isso, e as CONSEQUÊNCIAS de um cenário todo que descrevo abaixo que é real para muitas de nós, que essa palestra trata. Ela aponta com lucidez e clareza os caminhos ruins que trilhamos no lidar com nossos filhos, derivados de toda a nossa solidão, insegurança, despreparo, hiperconectividade e avalanche de solicitações e informações que nos soterram hoje no quesito “sermos pais na era da internet”.

Para as queridas que estão na fase de cuidar de seus pequenos entre 0 e 3 anos, quem tbem tem filhos mais velhos, professoras, e quem mais tiver contato com crianças, recomendo ouvir o que ela tem a dizer. Achei importante demais tudo que ela falou.

Quando vejo amigas com recém-nascidos postando fotos de felicidade suprema no Facebook ou no Insta eu tenho certeza que a cultura da felicidade se reafirma de forma bastante injusta (salvo raras exceções).

Hoje na gravidez nos ensaios de gestantes da moda, nos vestem de fadas, princesas e santas com vestidos flutuantes, com cenários de sonhos encantados, onde a fotografia cumpre um papel de idealizar loucamente um sonho nada real. Eu particularmente não gosto dessas imagens. O período todo é muito diferente desse quadro as vezes pintado muito toscamente.

Mesmo nem todos os incômodos, ansiedades, calores e desconfortos da gravidez prenunciam na proporção real tudo que acontece com a gente nos primeiros três meses, ou no primeiro ano, ou no segundo ano da presença de um bebê na nossa vida. Ter filho é tarefa dura e exaustiva, e a nossa geração está mais sozinha do que qualquer outra nesse momento. Não temos avós, madrinhas e tias ao redor. Rodamos o mundo a procura de oportunidades de trabalho e “fundamos” família nova longe da aldeia de origem. Vi essa palestra e reconheci minha realidade materna dos primeiros tempos várias vezes no discurso dela. Isso porque vivi esse período não hoje, mas a cinco anos atrás, onde o cenário era ainda diferente, mas parte já era real. Minha empatia com as mulheres do mundo aumentou absurdamente depois que a Júlia nasceu. Meu olhar para com todas as mulheres do mundo mudou, me reconheci parte de um todo, percebendo que a maternidade seja talvez ao mesmo tempo (e loucamente) a experiência mais individual e o mesmo tempo coletiva a ser vivida por uma mulher.

Nos primeiros meses fiquei completamente desnorteada. Tinha feito “curso” de preparação, tinha lido alguns livros, mas não sabia nada da real condição de se cuidar de uma vida. Ter experimentado uma confusão e um medo nunca antes presente na minha vida fui muito, muito difícil. Os quatro primeiros meses de licença maternidade foram terríveis. Toda a família estava longe. Eu estava sozinha, todo o grupo social onde eu transitava estava lá fora tocando a vida. Os dias eram longos, as noites mais ainda. Lidar com com um bebê e suas demandas cíclicas (sono, choro, alimento, saciedade, cuidados, higiene, colo, fome, saciedade, sono, assim, sem fim), por mais ocitocina e amor que estivessem inundando tudo ali, era muito sofrido. Eu tinha uma vida ativa, agitada, meus dias eram todos diferentes um do outro, e aquele novo cenário vivido era extremamente cansativo e redundante. E eu estava sozinha. Marido com 5 dias de licença voltou a trabalhar. Vez em qdo aparecia uma visita. Mas na maioria do tempo era só eu, Júlia, e algumas telas. Lembrei muito de tudo isso ouvindo a Julieta falar. Essa palestra me trouxe tudo de volta, e me deu vontade de escrever sobre maternidade de novo, o que não faço há algum tempo.

Aqui compartilho uma versão editada apresentada pela TV cultura
https://youtu.be/CJCrRouBNAY,

E aqui a integral, que gosto mais, mas que exigem da gente duas horas de atenção – http://www.institutocpfl.org.br/2017/06/02/julieta-jerusalinsky-e-a-intoxicacoes-eletronicas-na-primeira-infancia/

De Julieta Jerusalinsky – Psicóloga pela UFRGS (1993), com especialização em clínica com bebês pela FEPI Argentina (1999), realizou mestrado (2003) e doutorado (2009) em Psicologia Clínica pela PUC.
“É inegável a importância da infância no resto da nossa vida. Por isso seria de se esperar que uma cuidadosa atenção fosse dada às nossas crianças. Aos estímulos produzidos pela cultura de cada época, as crianças reagem; através de seu comportamento, fala, linguagem e sintomas. Ela fala, questiona, informa sobre como estamos tratando a exposição dos nossos filhos ao virtual e possíveis consequências disso.”

CoisasSódeFilhaQueDesenha: é tão fácil mamãe!

Minhas coisas estavam todas sobre a mesa quando publiquei esse álbum de desenhos meus no Dia das Mães no Facebook. Júlia chegou e viu os originais que eu tinha digitalizado. Olhou e me perguntou mais uma vez (já tinha perguntado antes):
– Mamãe, por que você não faz os rostos?
– Ah, Juju, é muito difícil.
– Ah, não é não! Quer que eu te ensine? – já pegando meus desenhos.
– Eita Juju peraí, vou fazer cópias, aí você desenha os rostos em todos, pode ser?

E ela esperou pacientemente, recebeu as folhas e começou seu trabalho de me ensinar.
Terminou:
– Viu só, como é fácil?!
Todas ganharam rosto.
Todas sorrindo.
Eu transbordo emocionada.

Eu sugeri:
– Então por que você também não colore elas também?
Aí, ela reclamou, disse que gosta delas assim mesmo e que está cansada. Mas faz um e me entrega. Olha a menininha Júlia aos 5 anos o que faz: pinta meio contrariada pela encomenda recebida. Mas pinta e termina. Risca o meu nome e escreve dela, assumindo para si agora a autoria. Eita!
Um dia levo essa historia para um psicólogo me dar um help, rsrsr. Mas olha, ressignificou um monte de coisas aqui.
Acho que preciso tentar desenhar alguns rostos agora. Fui desafiada!

Maternidades – Por Juliana Cassab
Minha homenagem.

CoisasdeJujuAventureira: viagem para Fernando de Noronha, por Júlia, aos 6 anos

Certas experiências proporcionadas aos filhos tem tamanha importância e impacto que nem dá para mensurar. Por aqui, uma dessas aconteceu mês passado e para ficar registro eterno disso na lembrança e coração saiu esse texto e o ajuntamento dessas imagens, onde busco enxergar através dos olhos da Júlia todo o encantamento que vi refletido nela nos dias que passamos na ilha. Júlia brilhava! Júlia tinha uma energia e coragem as quais não enxergávamos nela haver. Tivemos junto dela uma aula de vida, da necessidade de esforço de preservação da natureza e de como é incrível e divina a vida preservada em sua potencialidade maior. Foram aprendidas uma série de coisas que ficarão para sempre junto dela, e da gente, de uma maneira que nenhum livro ou tela possa mediar. Privilégio imenso nosso poder proporcionar isso a ela. E que isso contribua para o ser humano lindo que ela está se tornando. E que aqui, motive quem pensa em passar por uma dessas com uma criança, mas não tinha coragem.
Com todo o amor do mundo inteiro, filha.
Papai Rodolfo e Mamãe Juliana.

 

Júlia conta Noronha

Olá, eu sou a Júlia e vou contar para vocês sobre uma viagem incrível que Papai e Mamãe me levaram esse ano. Fomos para Fernando de Noronha! Ela é uma ilha muito maravilhosa que fica no Brasil, ou melhor, é um arquipélago – um conjunto de várias ilhas.


Para chegar lá, precisamos ir de avião ou barco. Fomos partindo de uma cidade chamada Recife. Foi muito legal!


O comandante deixou eu sentar na cabine de comando do avião!

Lá é uma ilha tão cheia de coisas lindas para ver que é um Parque: Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha. Meu pai me explicou que lá é um Parque, Ecológico.

Sobre o acesso aos parques e valores
http://www.icmbio.gov.br/portal/visitacao1/unidades-abertas-a-visitacao/192-parque-nacional-marinho-fernando-de-noronha.html
Sobre a taxa obrigatória de permanência na ilha
http://www.noronha.pe.gov.br/

Muitas pessoas moram lá. E tem escola, hospital, biblioteca, igreja, porto, palácio… E muita gente preocupada e ocupada com a natureza e a preservação da vida dos animais e das plantas.

Lá fica uma base do Projeto Tamar, que é o Centro de Visitantes – Museu Aberto das Tartarugas Marinhas. Um lugar muito legal e cheio de coisas para ver e aprender, especialmente sobre as tartarugas. Mas também sobre outras coisas! Tem encontro todas as noites da semana, para biólogos e pessoas que amam a natureza se reunirem para ensinar as outras pessoas do mundo a amar e respeitar mais a natureza e Fernando de Noronha. Tem palestra de Tartaruga Marinha, de Tubarão, sobre as Lendas da Ilha. Fomos várias vezes lá! Assistimos às palestras (eu na verdade verdadeira, não consegui assistir a elas inteiras porque queria sair para brincar) e eu me diverti muito.

Sobre o Centro de Visitantes
http://www.tamar.org.br/centros_visitantes.php?cod=7
Sobre o projeto na ilha
http://www.tamar.org.br/base.php?cod=20


Natureza, natureza, natureza!!!

Na ilha, tem muitos animais que a gente vê de pertinho, soltos na natureza. Uma beleza!


E os golfinhos, lindos!!! Fizeram maior festa para gente no barco! É uma alegria gigante vê-los assim. As pessoas ficaram muito animadas. Todo mundo parecia criança que nem eu na hora em que eles apareceram.
O passeio de barco é uma aventura, e ele pára no meio de uma praia linda pra gente poder mergulhar. Meu papai preparou tudo direitinho para eu poder fazer isso junto com ele. Colete, máscara, nadadeira. Fiquei parecendo um peixe de verdade. E foi a coisa mais linda do mundo enxergar dentro do mar os peixes e como é a natureza marinha. Fiquei muito cansada e na volta acabei dormindo. Um pouquinho, porque ainda tinha muito para fazer naquele dia.

Sobre o projeto Golfinho Rotador
http://golfinhorotador.org.br/o-projeto-golfinho-rotador/

E dos outros bichos mais incríveis que eu vi de pertinho estão a arraia, a moreia, as tartarugas marinhas gigantes e dois tubarões!!! Já pensou, assim do seu ladinho ver tudo isso?

Sobre a fauna de Noronha
http://www.prontotecnologia.com.br/noronha2/instMeioAmbiente_2.php

Lá em Noronha tem muuuuuitos lagartos, de duas espécies: Os Mabuia e os Teju. Estão por todos os lados! Um é bem grandão e passa preguiçoso pela rua, se arrastando mais devagar pelos cantos. E o outro é pequeninho e arisco! Vi eles principalmente perto das pedras. Os Mabuia são endêmicos e os Teju não. Eu que adoro lagartos, levei um dos meus lagartinhos para viajar com a gente e ele encontrou muitos amigos! Ele me acompanhou em todas as aventuras e curtiu a viagem com a gente. Foi muito legal!!!

Sobre os Mabuia e o que é endêmico
http://panoramacultural.com.br/extras/
Sobre os Teju e porque eles são uma praga na ilha
http://g1.globo.com/platb/pe-viver-noronha/2012/07/30/teju-nadador-em-fernando-de-noronha/

Lá conhecemos lugares como o Museu do Tubarão! Onde vimos dentes gigantes, o Sr. Lagarto comeu Bolinho de Tubalhau e reencontrou um amigo de outros tempos.

Sobre os tubarões em Noronha http://g1.globo.com/platb/pe-viver-noronha/tag/tubarao/

 

Eu e o Lagarto fizemos muitos amigos e a mais especial foi a Fátima Neder. Ela mora há 30 anos lá e conhece tudo da ilha. Ela me levou para conhecer lugares lindos, e me ajudou muito mesmo. Me protegendo, me guiando, me contando coisas incríveis sobre os bichos e as plantas de lá. Ela subiu e desceu comigo morros e escadas infinitas. Acho que se os papais decidirem levar as crianças para lá, arrumar um guia como a Fátima pode ajudar muito mesmo. Sem ela não teríamos visto e feito tantas coisas especiais. Para entrar em algumas praias é preciso conseguir autorização. E em outras não se entra sem um guia estar junto. Para muitas é preciso pegar um Ingresso. Para isso, precisa acordar beeem cedinho e ir para uma fila de um lugar que fica lá do lado do Projeto Tamar. Precisa pegar com 5 dias de antecedência do passeio. Dá um trabalhão. Foi nessa fila, 6h da manhã, que o meu papai conheceu ela.

Meu papai me explicou que para a gente aproveitar tudo que tem na ilha levando criança é preciso uma coisa chamada PLANEJAMENTO. E ele é o papai mais bem planejado que eu conheço. Ótimo nessas coisas. Vai ver que é por isso que tudo foi tão legal.

Sobre os agendamentos
http://www.parnanoronha.com.br/paginas/281-agendamento-de-atrativos.aspx
http://www.parnanoronha.com.br/portal/images/pages/files/Informe%20agendamento_Hor%C3%A1rios.pdf


Os Planejamentos do Super Papai

Nessa história de planejamento, por exemplo, entendi que ele escolheu ficarmos em uma pousada que fica do lado da sede do Projeto Tamar. Assim, no fim do dia a gente estaria cansado dos passeios, mas mesmo assim a gente teria energia para ir nas palestras às 7 horas. E que para acordar bem cedinho para pegar os ingressos do parque seria mais fácil estar ali do lado também. A Pousada se chama Topázio, ela é linda, toda azul. Ficamos muito bem, tinha um café da manhã muito gostoso de manhã e pessoas muito simpáticas atendendo e ajudando a gente.

Site da Pousada
http://www.pousadatopazio.com.br/

No tal planejamento papai incluiu uma mala só com comidinhas: barrinhas de cereal, biscoitos de polvilho, de arroz, de aveia, pães, alguns salgadinhos que eu gosto muito (mas mamãe não), bananas e maçãs e algumas garrafas de água, o quanto foi possível levar. Segundo a mamãe levamos a “maior farofa” junto com a gente, mas segundo o planejamento do papai isso era importante e necessário. Lá íamos comprar mais água no mercado depois também. Importante levar muita água todo o tempo porque os passeios cansam muito.

Outra coisa muito planejada: muita, muita, muita, muita proteção contra sol e mosquitos, hidratantes, pulseira de citronela, uma verdadeira farmácia por precaução pois lá tudo é muito caro e mais difícil de comprar. Só tem um hospital pequeno, que não ajuda muito quando o dodói é muito grande. Quase outra mala foi só com isso dentro. Mamãe passava protetor do meu pé até naquele pedaço da cabeça onde o cabelo da gente é penteado e deixa a pele aparecer, mesmo eu usando chapéu quase o tempo todo. Ela tem muito medo do sol, nossa!

Lá o sol é muito forte, e as praias pouco tem áreas protegidas ou guarda-sóis disponíveis. A tal da blusa UV foi muito importante. Fiquei linda de MiniMinionJuju. Mamãe levou biquíni e maiô lindão, mas aconteceu uma coisa que a gente não sabia. A areia lá é tão fina que ela pregou nos tecidos das roupas de banho. E até hoje, depois umas trocentas lavadas, não saiu. Ficou tudo meio estragado.

No tal do planejamento, papai incluiu o aluguel de um bugue. Ele acha que para quem está com criança isso ajuda muito a andar pela ilha. E ajudou mesmo, além de ser muito divertido!


Aventuras

Nossa primeira grande aventura foi fazer a Trilha dos Abreus, que precisa marcar para entrar. Cheia de lama e pedras escorregadias o caminho é íngreme (palavra nova aprendida na viagem). Vimos muitas plantas, caminhamos 4km e descemos em uma ribanceira gigante para nadarmos em uma piscina natural cheia de peixinhos! Foi uma super aventura! Nesse passeio a Fátima nos acompanhou e mamãe disse que se ela não tivesse ido junto, na hora de descer aquele paredão com duas cordas, a gente teria voltado para trás. Mamãe é um pouco medrosa, sabe.

Outro passeio especial demais da conta foi visitar a Ponta das Caracas. Para irmos lá, a Fátima precisou pedir uma licença especial, para fazer a trilha até a praia por um caminho mais fácil por eu estar junto. Foi um passeio incrível, e vimos na piscina natural de lá muita vida marinha. Foi maravilhoso!!!



Um passeio muito legal para criança é visitar durante o dia mesmo o famoso Bar do Cachorro. Tem uma parede inteira lá cheia de estátuas de cachorrinhos iluminados. Tinha um moço tocando um tal de sax, muito legal de escutar. Se lá se vê a Praia do Cachorro, uma faixa de terra bem pequenininha. Para ir lá passamos em uma região histórica da ilha, onde tem uma igreja muito velha, um castelo e até um poço no meio da praça. Tudo isso numa descida muito íngreme e cheia de pedras que minha mãe explicou serem paralelipípedos.

 


As praias de Noronha – as mais lindas e limpas que eu já vi!

Essa é a Praia da Cacimba do Padre. Ela tem esse nome porque contam que uma vez, um padre encontrou lá uma fonte de água para beber. Aqueles dois pontinhos lá embaixo sou eu e papai! O lagarto adorou!

Ah, e apareceu na praia com a família um ator de televisão. A mamãe não tem muita vocação pra paparazzi, e mostra aqui uma das fotinhas só para contar o acontecido.

Num canto dessa praia tem dois morros iguais. Mamãe tirou um milhão de fotos deles. As pessoas acham muito bonito. Eu não vi muita coisa nisso não, mas tudo bem. Enquanto ela subia e descia morro para tirar as fotos dela, eu me diverti adoidado brincando de Bebê na Água, com meu papai. Voltamos umas três vezes lá, para ir nela não precisa pegar ingresso ou autorização para entrar.

 

 

Essa é a Praia do Leão. As pessoas acham que essa pedra parece um leão marinho deitado ali. Ela é uma área super bem protegida porque é também um berçário de tartaruguinhas. Aquelas estacas na praia são cada uma um ninho marcado, e aquelas duas pessoas estão vigiando a praia.

 

Aqui é a Praia do Porto de Noronha. Até nessa praia tudo é tão limpo, que as pessoas vem para nadar! Tinha muita gente! Crianças de uma escola desceram todas juntas de um barco para nadar com as professoras. Tinha gente fazendo exercício. pássaros e carangueijos nas pedras. A areia é muito, muito limpa. mas também eu vi algumas sujeiras e barcos velhos na areia que deixaram o lugar um pouquinho mais feio que os outros de lá, infelizmente.

 

A Praia do Atalaia.

Para conhecer essa praia muito maravilhosa, é preciso pegar o ingresso. Só deixam um número limitado de pessoas entrar nela de cada vez. É preciso fazer uma trilha longa, de 1,5 km cada caminho. E como choveu no dia que fomos primeiro, ela estava muito enlameada e escorregadia. Muito mesmo. Outra aventura!!! Foi muito legal!!! Me senti uma verdadeira exploradora.

Nessa trilha também vimos muitas plantas, lagartas e insetos. Lá fica um biólogo controlando as entradas e o tempo de nadar na piscina que se forma na praia. Lá nadamos com máscara na piscina natural que se forma lá na maré baixa e eu vi muitos peixinhos coloridos com meu papai. Brinquei na areia um pouquinho, vi muitos caranguejos e aí já deu a hora de voltar. Mas é um passeio tão legal que voltamos mais uma vez! Adorei!

 

A Praia do Sueste. A minha preferida!

Ondas calmas, sorvete, lojinha com um monte de gente amiga, e até dois chuveiros! Luxo total em estrutura para Fernando de Noronha! Fiz muita brincadeira na areia, e “atiramento” de algas no meu papai. Lá criei Espacinhos Kids mil para os peixinhos e também brinquei de Bebê na Água. E é o lugar de ver Captura de Tartaruga com o Projeto Tamar. Pena que não pode entrar mais depois das 5h da tarde. É que lá é área especial das tartarugas. Vi cinco delas lá, dentro do mar! Foi lá que eu nadei longe com papai e mamãe mar adentro e vi além de peixe e tartaruga, também vi o t-u-b-a-r-ã-o, aliás, vi dois! Nesse passeio pedimos ajuda também, e um moço que sabia nadar muito bem nos acompanhou com uma bóia com uma corda para irmos nadando todos juntos na parte mais funda da praia. Ele até tirou uma foto nossa com a Dona Tartaruga Marinha.

Como não deu para vermos a abertura dos ninhos de tartaruga, tratei de resolver o problema por lá mesmo. Fiz os meus e o biólogo do TAMAR veio aprovar o meu trabalho duro. Olha que chique!!!

Praia do Sancho – A PRAIA MAIS BONITA DO MUNDO!!!

UAU! Essa é A PRAIA. Do deck com uma trilha que passa da Bahia dos Porcos até os Mirantes da encosta dos Golfinhos, a vista lá de cima é uma lindeza demais da conta. Para chegar à praia, mais uma aventura! Descemos 40 metros, em escadas de 3 partes, duas de ferro e uma de pedra. Fomos por dentro da fenda numa rocha gigante para chegar na praia. Tem fila, espera, pessoas para controlar e orientar as pessoas que querem descer. Essa descida é tão doida que o papai preparou um verdadeiro arsenal para me fazer passar por ela. Mas, eu tinha a Fátima pra descer comigo, tudo que ele com seu tal planejamento comprou para me proteger na descida ficou lá em cima com a mamãe. Ela não teve coragem de descer a tal escada e perdeu essa belezura toda. Ela disse que ficou feliz fazendo foto lá de cima, mas eu bem que queria que ela tivesse com a gente. Legal que ela registrou o meu nome que o papai escreveu bem lindo na areia. Para a gente nunca mais esquecer essa viagem.

E acabou a história!

Foi tudo muito maravilhoso, e eu desejo que todas as pessoas que amam a natureza possam um dia ir para esse lugar. Parece que depois de ir lá, e viver tudo isso, a gente aprende a amar e respeitar a natureza ainda mais!

por Júlia Cassab Lopes, aos 6 anos, em março de 2017