CoisasdeJujuAventureira: viagem para Fernando de Noronha, por Júlia, aos 6 anos

Certas experiências proporcionadas aos filhos tem tamanha importância e impacto que nem dá para mensurar. Por aqui, uma dessas aconteceu mês passado e para ficar registro eterno disso na lembrança e coração saiu esse texto e o ajuntamento dessas imagens, onde busco enxergar através dos olhos da Júlia todo o encantamento que vi refletido nela nos dias que passamos na ilha. Júlia brilhava! Júlia tinha uma energia e coragem as quais não enxergávamos nela haver. Tivemos junto dela uma aula de vida, da necessidade de esforço de preservação da natureza e de como é incrível e divina a vida preservada em sua potencialidade maior. Foram aprendidas uma série de coisas que ficarão para sempre junto dela, e da gente, de uma maneira que nenhum livro ou tela possa mediar. Privilégio imenso nosso poder proporcionar isso a ela. E que isso contribua para o ser humano lindo que ela está se tornando. E que aqui, motive quem pensa em passar por uma dessas com uma criança, mas não tinha coragem.
Com todo o amor do mundo inteiro, filha.
Papai Rodolfo e Mamãe Juliana.

 

Júlia conta Noronha

Olá, eu sou a Júlia e vou contar para vocês sobre uma viagem incrível que Papai e Mamãe me levaram esse ano. Fomos para Fernando de Noronha! Ela é uma ilha muito maravilhosa que fica no Brasil, ou melhor, é um arquipélago – um conjunto de várias ilhas.


Para chegar lá, precisamos ir de avião ou barco. Fomos partindo de uma cidade chamada Recife. Foi muito legal!


O comandante deixou eu sentar na cabine de comando do avião!

Lá é uma ilha tão cheia de coisas lindas para ver que é um Parque: Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha. Meu pai me explicou que lá é um Parque, Ecológico.

Sobre o acesso aos parques e valores
http://www.icmbio.gov.br/portal/visitacao1/unidades-abertas-a-visitacao/192-parque-nacional-marinho-fernando-de-noronha.html
Sobre a taxa obrigatória de permanência na ilha
http://www.noronha.pe.gov.br/

Muitas pessoas moram lá. E tem escola, hospital, biblioteca, igreja, porto, palácio… E muita gente preocupada e ocupada com a natureza e a preservação da vida dos animais e das plantas.

Lá fica uma base do Projeto Tamar, que é o Centro de Visitantes – Museu Aberto das Tartarugas Marinhas. Um lugar muito legal e cheio de coisas para ver e aprender, especialmente sobre as tartarugas. Mas também sobre outras coisas! Tem encontro todas as noites da semana, para biólogos e pessoas que amam a natureza se reunirem para ensinar as outras pessoas do mundo a amar e respeitar mais a natureza e Fernando de Noronha. Tem palestra de Tartaruga Marinha, de Tubarão, sobre as Lendas da Ilha. Fomos várias vezes lá! Assistimos às palestras (eu na verdade verdadeira, não consegui assistir a elas inteiras porque queria sair para brincar) e eu me diverti muito.

Sobre o Centro de Visitantes
http://www.tamar.org.br/centros_visitantes.php?cod=7
Sobre o projeto na ilha
http://www.tamar.org.br/base.php?cod=20


Natureza, natureza, natureza!!!

Na ilha, tem muitos animais que a gente vê de pertinho, soltos na natureza. Uma beleza!


E os golfinhos, lindos!!! Fizeram maior festa para gente no barco! É uma alegria gigante vê-los assim. As pessoas ficaram muito animadas. Todo mundo parecia criança que nem eu na hora em que eles apareceram.
O passeio de barco é uma aventura, e ele pára no meio de uma praia linda pra gente poder mergulhar. Meu papai preparou tudo direitinho para eu poder fazer isso junto com ele. Colete, máscara, nadadeira. Fiquei parecendo um peixe de verdade. E foi a coisa mais linda do mundo enxergar dentro do mar os peixes e como é a natureza marinha. Fiquei muito cansada e na volta acabei dormindo. Um pouquinho, porque ainda tinha muito para fazer naquele dia.

Sobre o projeto Golfinho Rotador
http://golfinhorotador.org.br/o-projeto-golfinho-rotador/

E dos outros bichos mais incríveis que eu vi de pertinho estão a arraia, a moreia, as tartarugas marinhas gigantes e dois tubarões!!! Já pensou, assim do seu ladinho ver tudo isso?

Sobre a fauna de Noronha
http://www.prontotecnologia.com.br/noronha2/instMeioAmbiente_2.php

Lá em Noronha tem muuuuuitos lagartos, de duas espécies: Os Mabuia e os Teju. Estão por todos os lados! Um é bem grandão e passa preguiçoso pela rua, se arrastando mais devagar pelos cantos. E o outro é pequeninho e arisco! Vi eles principalmente perto das pedras. Os Mabuia são endêmicos e os Teju não. Eu que adoro lagartos, levei um dos meus lagartinhos para viajar com a gente e ele encontrou muitos amigos! Ele me acompanhou em todas as aventuras e curtiu a viagem com a gente. Foi muito legal!!!

Sobre os Mabuia e o que é endêmico
http://panoramacultural.com.br/extras/
Sobre os Teju e porque eles são uma praga na ilha
http://g1.globo.com/platb/pe-viver-noronha/2012/07/30/teju-nadador-em-fernando-de-noronha/

Lá conhecemos lugares como o Museu do Tubarão! Onde vimos dentes gigantes, o Sr. Lagarto comeu Bolinho de Tubalhau e reencontrou um amigo de outros tempos.

Sobre os tubarões em Noronha http://g1.globo.com/platb/pe-viver-noronha/tag/tubarao/

 

Eu e o Lagarto fizemos muitos amigos e a mais especial foi a Fátima Neder. Ela mora há 30 anos lá e conhece tudo da ilha. Ela me levou para conhecer lugares lindos, e me ajudou muito mesmo. Me protegendo, me guiando, me contando coisas incríveis sobre os bichos e as plantas de lá. Ela subiu e desceu comigo morros e escadas infinitas. Acho que se os papais decidirem levar as crianças para lá, arrumar um guia como a Fátima pode ajudar muito mesmo. Sem ela não teríamos visto e feito tantas coisas especiais. Para entrar em algumas praias é preciso conseguir autorização. E em outras não se entra sem um guia estar junto. Para muitas é preciso pegar um Ingresso. Para isso, precisa acordar beeem cedinho e ir para uma fila de um lugar que fica lá do lado do Projeto Tamar. Precisa pegar com 5 dias de antecedência do passeio. Dá um trabalhão. Foi nessa fila, 6h da manhã, que o meu papai conheceu ela.

Meu papai me explicou que para a gente aproveitar tudo que tem na ilha levando criança é preciso uma coisa chamada PLANEJAMENTO. E ele é o papai mais bem planejado que eu conheço. Ótimo nessas coisas. Vai ver que é por isso que tudo foi tão legal.

Sobre os agendamentos
http://www.parnanoronha.com.br/paginas/281-agendamento-de-atrativos.aspx
http://www.parnanoronha.com.br/portal/images/pages/files/Informe%20agendamento_Hor%C3%A1rios.pdf


Os Planejamentos do Super Papai

Nessa história de planejamento, por exemplo, entendi que ele escolheu ficarmos em uma pousada que fica do lado da sede do Projeto Tamar. Assim, no fim do dia a gente estaria cansado dos passeios, mas mesmo assim a gente teria energia para ir nas palestras às 7 horas. E que para acordar bem cedinho para pegar os ingressos do parque seria mais fácil estar ali do lado também. A Pousada se chama Topázio, ela é linda, toda azul. Ficamos muito bem, tinha um café da manhã muito gostoso de manhã e pessoas muito simpáticas atendendo e ajudando a gente.

Site da Pousada
http://www.pousadatopazio.com.br/

No tal planejamento papai incluiu uma mala só com comidinhas: barrinhas de cereal, biscoitos de polvilho, de arroz, de aveia, pães, alguns salgadinhos que eu gosto muito (mas mamãe não), bananas e maçãs e algumas garrafas de água, o quanto foi possível levar. Segundo a mamãe levamos a “maior farofa” junto com a gente, mas segundo o planejamento do papai isso era importante e necessário. Lá íamos comprar mais água no mercado depois também. Importante levar muita água todo o tempo porque os passeios cansam muito.

Outra coisa muito planejada: muita, muita, muita, muita proteção contra sol e mosquitos, hidratantes, pulseira de citronela, uma verdadeira farmácia por precaução pois lá tudo é muito caro e mais difícil de comprar. Só tem um hospital pequeno, que não ajuda muito quando o dodói é muito grande. Quase outra mala foi só com isso dentro. Mamãe passava protetor do meu pé até naquele pedaço da cabeça onde o cabelo da gente é penteado e deixa a pele aparecer, mesmo eu usando chapéu quase o tempo todo. Ela tem muito medo do sol, nossa!

Lá o sol é muito forte, e as praias pouco tem áreas protegidas ou guarda-sóis disponíveis. A tal da blusa UV foi muito importante. Fiquei linda de MiniMinionJuju. Mamãe levou biquíni e maiô lindão, mas aconteceu uma coisa que a gente não sabia. A areia lá é tão fina que ela pregou nos tecidos das roupas de banho. E até hoje, depois umas trocentas lavadas, não saiu. Ficou tudo meio estragado.

No tal do planejamento, papai incluiu o aluguel de um bugue. Ele acha que para quem está com criança isso ajuda muito a andar pela ilha. E ajudou mesmo, além de ser muito divertido!


Aventuras

Nossa primeira grande aventura foi fazer a Trilha dos Abreus, que precisa marcar para entrar. Cheia de lama e pedras escorregadias o caminho é íngreme (palavra nova aprendida na viagem). Vimos muitas plantas, caminhamos 4km e descemos em uma ribanceira gigante para nadarmos em uma piscina natural cheia de peixinhos! Foi uma super aventura! Nesse passeio a Fátima nos acompanhou e mamãe disse que se ela não tivesse ido junto, na hora de descer aquele paredão com duas cordas, a gente teria voltado para trás. Mamãe é um pouco medrosa, sabe.

Outro passeio especial demais da conta foi visitar a Ponta das Caracas. Para irmos lá, a Fátima precisou pedir uma licença especial, para fazer a trilha até a praia por um caminho mais fácil por eu estar junto. Foi um passeio incrível, e vimos na piscina natural de lá muita vida marinha. Foi maravilhoso!!!



Um passeio muito legal para criança é visitar durante o dia mesmo o famoso Bar do Cachorro. Tem uma parede inteira lá cheia de estátuas de cachorrinhos iluminados. Tinha um moço tocando um tal de sax, muito legal de escutar. Se lá se vê a Praia do Cachorro, uma faixa de terra bem pequenininha. Para ir lá passamos em uma região histórica da ilha, onde tem uma igreja muito velha, um castelo e até um poço no meio da praça. Tudo isso numa descida muito íngreme e cheia de pedras que minha mãe explicou serem paralelipípedos.

 


As praias de Noronha – as mais lindas e limpas que eu já vi!

Essa é a Praia da Cacimba do Padre. Ela tem esse nome porque contam que uma vez, um padre encontrou lá uma fonte de água para beber. Aqueles dois pontinhos lá embaixo sou eu e papai! O lagarto adorou!

Ah, e apareceu na praia com a família um ator de televisão. A mamãe não tem muita vocação pra paparazzi, e mostra aqui uma das fotinhas só para contar o acontecido.

Num canto dessa praia tem dois morros iguais. Mamãe tirou um milhão de fotos deles. As pessoas acham muito bonito. Eu não vi muita coisa nisso não, mas tudo bem. Enquanto ela subia e descia morro para tirar as fotos dela, eu me diverti adoidado brincando de Bebê na Água, com meu papai. Voltamos umas três vezes lá, para ir nela não precisa pegar ingresso ou autorização para entrar.

 

 

Essa é a Praia do Leão. As pessoas acham que essa pedra parece um leão marinho deitado ali. Ela é uma área super bem protegida porque é também um berçário de tartaruguinhas. Aquelas estacas na praia são cada uma um ninho marcado, e aquelas duas pessoas estão vigiando a praia.

 

Aqui é a Praia do Porto de Noronha. Até nessa praia tudo é tão limpo, que as pessoas vem para nadar! Tinha muita gente! Crianças de uma escola desceram todas juntas de um barco para nadar com as professoras. Tinha gente fazendo exercício. pássaros e carangueijos nas pedras. A areia é muito, muito limpa. mas também eu vi algumas sujeiras e barcos velhos na areia que deixaram o lugar um pouquinho mais feio que os outros de lá, infelizmente.

 

A Praia do Atalaia.

Para conhecer essa praia muito maravilhosa, é preciso pegar o ingresso. Só deixam um número limitado de pessoas entrar nela de cada vez. É preciso fazer uma trilha longa, de 1,5 km cada caminho. E como choveu no dia que fomos primeiro, ela estava muito enlameada e escorregadia. Muito mesmo. Outra aventura!!! Foi muito legal!!! Me senti uma verdadeira exploradora.

Nessa trilha também vimos muitas plantas, lagartas e insetos. Lá fica um biólogo controlando as entradas e o tempo de nadar na piscina que se forma na praia. Lá nadamos com máscara na piscina natural que se forma lá na maré baixa e eu vi muitos peixinhos coloridos com meu papai. Brinquei na areia um pouquinho, vi muitos caranguejos e aí já deu a hora de voltar. Mas é um passeio tão legal que voltamos mais uma vez! Adorei!

 

A Praia do Sueste. A minha preferida!

Ondas calmas, sorvete, lojinha com um monte de gente amiga, e até dois chuveiros! Luxo total em estrutura para Fernando de Noronha! Fiz muita brincadeira na areia, e “atiramento” de algas no meu papai. Lá criei Espacinhos Kids mil para os peixinhos e também brinquei de Bebê na Água. E é o lugar de ver Captura de Tartaruga com o Projeto Tamar. Pena que não pode entrar mais depois das 5h da tarde. É que lá é área especial das tartarugas. Vi cinco delas lá, dentro do mar! Foi lá que eu nadei longe com papai e mamãe mar adentro e vi além de peixe e tartaruga, também vi o t-u-b-a-r-ã-o, aliás, vi dois! Nesse passeio pedimos ajuda também, e um moço que sabia nadar muito bem nos acompanhou com uma bóia com uma corda para irmos nadando todos juntos na parte mais funda da praia. Ele até tirou uma foto nossa com a Dona Tartaruga Marinha.

Como não deu para vermos a abertura dos ninhos de tartaruga, tratei de resolver o problema por lá mesmo. Fiz os meus e o biólogo do TAMAR veio aprovar o meu trabalho duro. Olha que chique!!!

Praia do Sancho – A PRAIA MAIS BONITA DO MUNDO!!!

UAU! Essa é A PRAIA. Do deck com uma trilha que passa da Bahia dos Porcos até os Mirantes da encosta dos Golfinhos, a vista lá de cima é uma lindeza demais da conta. Para chegar à praia, mais uma aventura! Descemos 40 metros, em escadas de 3 partes, duas de ferro e uma de pedra. Fomos por dentro da fenda numa rocha gigante para chegar na praia. Tem fila, espera, pessoas para controlar e orientar as pessoas que querem descer. Essa descida é tão doida que o papai preparou um verdadeiro arsenal para me fazer passar por ela. Mas, eu tinha a Fátima pra descer comigo, tudo que ele com seu tal planejamento comprou para me proteger na descida ficou lá em cima com a mamãe. Ela não teve coragem de descer a tal escada e perdeu essa belezura toda. Ela disse que ficou feliz fazendo foto lá de cima, mas eu bem que queria que ela tivesse com a gente. Legal que ela registrou o meu nome que o papai escreveu bem lindo na areia. Para a gente nunca mais esquecer essa viagem.

E acabou a história!

Foi tudo muito maravilhoso, e eu desejo que todas as pessoas que amam a natureza possam um dia ir para esse lugar. Parece que depois de ir lá, e viver tudo isso, a gente aprende a amar e respeitar a natureza ainda mais!

por Júlia Cassab Lopes, aos 6 anos, em março de 2017

CoisasdeMãeParaFilha: livros para um mundo melhor

15 coisas que eu gostaria muito que TODAS as pessoas do mundo que tem a responsabilidade de criar um outro ser humano se atentassem.

A Feminist Manifesto

Uma pequena publicação (pequena em formato, é um mini livro. Custou na Livraria Cultura R$15,00. Tem uns 13x18cm com 80 mini-paginazinhas) mas extremamente poderosa, com a capacidade de mudar um mundo! Pode? Sim!
Leia esse livro se você tem vida sob sua tutela. É simplesmente maravilhoso! Em menos de duas horas de leitura, você vai tomar contato com uma visão de mundo necessária, uma proposta de revisão de valores absolutamente urgente a serem feitos por todos nós, e também um esclarecimento fluído, simples e descomplicado sobre FEMINISMO, que ajudará a todos, mesmo, a quebrar preconceitos e temores. Talvez se tivesse outro nome conseguisse atingir mais público. 

Tenho livros que elejo favoritos, com que presenteio, e esse tiquitito entrará pra lista, certamente!

15 things I would like that ALL people in the world who have the responsibility of raise another human being should to look at.

A small publication, (small in format) but extremely powerful, with the ability to change a world! Is it possible? Yes! Read this book if you have life under your tutelage. It’s simply wonderful! In less than two hours, you’ll be in touch with a necessary worldview, an absolutely urgent revision of values that all of us must consider of, as well as a fluid, simple and uncomplicated enlightenment about FEMINISM that will help break prejudices and fears.

I have books that I choose favorites, with which I gift who I love and this little one will enter the list, certainly!

#WeShouldAllBeFeminists
#Chimamanda
#ChimamandaNgoziAdichie

CoisasdePuerpério: Voucher VALE-UMA-NOITE-DE-SONO-MAMÃE! Vale a sanidade de uma mulher

Para celebrar carinha nova do meu blog, trago para casa esse post meu que foi publicado originalmente no site no Portal Materno Colaborativo MinhaMãeQueDisse em 2014. Uma bem-humorada e realista visão sobre o puerpério, com direto a um voucher de presente. Foi uma experiência muito legal ter conteúdo meu lido e compartilhado com tanta gente. É longo, mas se você tá passando por essa fase hoje, eu juro que vale a pena ler. Bjuju carinhoso e muito obrigada pela visita. Espero que goste também do novo site.

Tem coisas de que pouco se fala quando estamos grávidas. Já fazia parte do seu vocabulário antes palavrões estranhos como puerpério, tricotomia, episiotomia ou lóquios? Parece que um silêncio coletivo sobre a dura realidade dos primeiros três meses após o nascimento do bebê se abate sobre a humanidade. Talvez seja uma forma de não desencorajar os incautos aventureiros a seguir o caminho da perpetuação da espécie, preservando assim a raça humana da extinção. Ou sei lá, a confusão mental vivida em função das situações todas que a gente passa nessa época e o amor imenso de mãe que experimentamos invadir cada célula do nosso corpo inibem e preservam a memória de rememorar esse tempo depois que ele passa. É a tal da memória seletiva, garantindo coragem para darmos continuidade à prole. Se não, como as pessoas iriam tentar um segundo filho com essas passagens todas vivas na cuca? E não cabe mesmo aos que gravitam em torno daquela supernova-barriga-universo em franca expansão a ousadia fica citando o lado B das coisas todas que acontecerão até que a ansiada e bem dita luz finalmente se der. Melhor calar. Será inevitável mesmo. E vai passar. Então não falemos sobre esse trimestre maluco.

Não falemos sobre o cansaço mortal que nos acomete depois do parto. Da volta chatíssima da anestesia. Das visitas indo e vindo num fuzuê sem tamanho no quarto do hospital (e como isso tudo fica muito confuso misturado à ansiedade e alegria imensa de ver o filhote prontinho ali, com todos os vinte dedinhos e pulmõeszinhos a toda, finalmente fora da nossa barriga).

Não falemos sobre cortes pós-parto no nosso corpinho. Sobre suas dores e incômodos X cuidados X pomadinhas X analgésicos X anti-inflamatórios X antibióticos que os famigerados pontos, sejam da cesárea (e suas sete camadas) ou da episiotomia, exigem de nós. E também das posturas nada bonitas que nosso corpo assume para amenizar os desconfortos trazidos. E do fato que, se o parto foi cesariana, o pós-operatório nos restringir absurdamente o contato ansiado, o pegar, o cuidar do nosso filhote como sonhamos por nove meses, pelo menos na primeira semaninha (ai, quero a minha mãe agora!!!).

Não falemos sobre hemorroidas (sem comentários).

Não falemos sobre pelos que crescem depois da tricotomia nascendo encravados e se transformando em outras coisas bem chatas (sem comentários também).

Não falemos sobre a barriga que continua grande, como se ainda estivéssemos grávidas de uns cinco meses (não, ela não desinfla instantaneamente) e sobre órgãos se reposicionando no nosso corpo (sente-se a bagunça a cada movimento).

Não falemos sobre aprender a amamentar. Das coisas doídas para lidar tipo peito com canal entupido e empedrado. Da nossa confusão em não sabermos realmente se o bebê mamou o suficiente, se está satisfeito (por que ele chora mesmo, e a gente sempre acha que é de fome). De marido e sogra em desacordo porque ela quer dar a mamadeira logo (o neném tá com fome, uai!) e ele acredita que devemos seguir firmes com o propósito da amamentação (e se o bebê pegar a mamadeira uma vezinha que seja, ele nuuuuunca mais vai querer o peito, como alguém muito didaticamente me fez o favor de explicar para ele). E a gente doida, se sentindo incapaz sem saber o que fazer no meio desse tiroteio todo (essa parte não era uma coisa natural e bela? as receitinhas seguidas na gravidez para preparar a mama não funcionaram por quê? por que não existe um medidor automático para eu acoplar no peito durante a mamada e saber quanto de leite meu bebê está ingerindo?).

Não falemos sobre a incerteza e a sensação de impotência por não sabermos identificar se o choro estridente e ininterrupto do(a) pequenino(a) é de cólica, sono, fome, dor, fralda molhada, calor ou frio (porque não nasce falando, Deus meu? e porque só minha mãe consegue acalmá-lo? o que vai ser de mim quando ela for embora?). Não falemos sobre lidar com ansiedades e inseguranças mil nos cuidados todos a serem tomados (o que é certo? o que é errado? o que pode? o que não pode? cadê um manual definitivo e absoluto de pediatria? para que mesmo serviu aquele curso? será que eu posso ligar mais uma vez para o pediatra à uma hora dessas? como assim não pode dar mais Funchicórea?).

Não falemos sobre hormônios em pane, meio que quase a zero X tudo meio inchado ou meio murcho X desejo de ver o marido, suas mãozonas imensas e todo o resto bem longe da gente (pois então, a sábia natureza trata de nos desprestigiar enquanto fêmeas para que nem você, nem seu companheiro tenham a menor intenção, mesmo remota, de procriar novamente pelo menos enquanto a sobrevivência da primeira cria não esteja perfeitamente garantida, e isso pode demorar um pouco mais que três meses para acontecer).

Não falemos sobre a sua casa, a sua cara, o seu cabelo, o seu corpo, o seu guarda-roupa e o seu casamento imersos no caos. Claro que se você tiver duas babás e uma folguista – todas de preferência com formação em enfermagem – uma ótima empregada, uma cozinheira, uma passadeira, um motorista, um personal trainer, um personal stylist, um marido muuuuuuito legal e mãe e/ou sogra/irmãs e cunhadas maravilhosas esse item e suas consequências nefastas sobre nossa saúde mental podem ser minimizadas (e esqueçamos e toquemos fogo em praça pública em todas as revistas que mostram as atrizes-cantoras-apresentadoras-membrasdarealeza do circo-mídia-mundo, em fase recém-mamãe-que-acabou-de-parir completamente lindas-despreocupadas-magras-e-louras. Além sim, de elas serem as únicas que realmente dispõem de um kit-arsenal como acima citado, elas são de plástico, gente, não existem. Acreditem).

Nossa, que horror! Em coro juntas, exclamemos. Pode acontecer uma coisa ou outra, mas pensar nisso tudo junto de uma vez só acontecendo com uma única pessoa é desesperador. Pode acontecer só uma parte. Apenas um ou dois itens talvez. Mas às vezes acontece tudo de uma vez sim. Comigo aconteceu boa parte dos itens listados acima, ou quase tudo, claro, porque tem coisas que a gente não comenta…

Mas espere, não acabou, existe um ingrediente final somado aos anteriores que tornam as coisas piores, sim muito piores: a Privação de Sono. Torturadores usam dessa estratégia como método de tortura para prisioneiros de guerra. E o seu bebê e tudo o que essa nova realidade exigirá de você, farão com que o seu sono, daquele jeito profundo, despreocupado, reconfortante, revigorante e ininterrupto seja apenas uma vaga lembrança de uma vida passada. E que você muitas vezes se sinta como um verdadeiro zumbi.

Se você teve a paciência de ler até aqui essas coisas todas, deve estar se perguntando qual o porquê de eu transformar esse período tão abençoado que é o da descoberta real da maternidade num filme de terror, né? Gosta de ser mãe não? Explico. Amo ser mãe. Tá arrependida? Explico. De jeito nenhum. Minha Juju é a melhor coisa que já fiz na vida!

Mas e o que tudo isso tem a ver com Vouchers e Vales? Explico. Meu objetivo em trazer tudo isso à tona e de forma tão calamitosa é para direcionar o post não às mamães, mas sim às amigas delas. Aquelas amigas-irmãs, de confiança, do peito mesmo, muito queridas e bem dispostas. De preferência aquelas que podem dormir fora de casa e que amem crianças de verdade. Que esse longo texto chegue até elas e as comovam, sensibilizarem, abalem. E agora, tendo uma ideia reavivada aqui do que a amada amiga barrigudaça enfrentará pela frente, elas se animem a oferecer um presente incrível que eu sugiro chamado Voucher VALE-UMA-NOITE-DE-SONO-MAMÃE!, a ser descontado quando a nova mamãe precisar de socorro. Olha aí:

Voucher_VALE-UMA-NOITE-DE-SONO-MAMÃE

Esse Vale pode valer a sanidade da presenteada. Ela ficará tão agradecida pelo que foi proporcionado a ela, que você a terá caninamente grata e fiel pelo resto de sua vida. E é só uma noitinha da sua existência. Muito pouco. Consideremos o trabalho em si como uma balada às avessas.

Comigo foi assim. Um mês e meio depois que minha Juju nasceu, aquela quinta e sexta de final de novembro de 2010 seriam os primeiros dias em que eu iria ficar em casa sozinha e passar duas noites inteiras somente eu e a minha filha pela primeira vez. O papai teria que viajar a trabalho, nos abandonando a própria sorte (drama!). Minha mãe já teria ido embora para cidade dela, tendo que realmente retomar o trabalho (e me largar ali à míngua, sola! mais drama!). E eu era puro terror ao pensar na chegada desses dois dias, ou pior, nas duas noites ao fim de cada um dos dois dias. Por que as noites são piores, não é? São caladas, são quietas, são escuras, são longas demais para uma mãe insone enfrentar sozinha… E nisso apareceu um Anjo do Céu, minha amiga Aglair, que se ofereceu para passar essas duas noites em casa comigo.

Nossa, que alívio, que alegria, que felicidade! E eu não esperava o que viria a acontecer. Depois de assistir minha insólita batalha pessoal na primeira noite, ela, já calejada mãe de três galalaus muito bem criados, na segunda noite sequestrou a babá eletrônica das minhas mãos, me expulsou da cama ao lado do berço da Júlia e me mandou partir pra minha própria cama (aquela abandonada há semanas). Disse que se ela acordasse com fome ia tomar mamadeira sim, com o meu leitinho que eu tinha previamente ordenhado, e que não seria isso que iria fazê-la largar o meu peito. E disse as palavras mágicas “Vai dormir menina, relaxa que cuido das coisas por aqui, pelamordedeus!”.

Nossa! Jesuis! Senhor! Santo! Não acredito. Sério? Não tem problema mesmo? Você me acorda se alguma coisa qualquer que seja acontecer? Você checa se ela está respirando umas três vezes pelo menos durante esse período? Você fica acordada velando ininterruptamente o sono dela? Ela não vai abandonar meu peito mesmo depois dessa mamada fortuita? E se ela não conseguir mamar na mamadeira? A mamadeira está esterilizada? E se ela chorar? E se ela fizer cocô? E se ela tiver cólica? Aushusushashaushauhshau!!!

E fuuuuuuuui!!! Dormir de verdade como não dormia há umas 48 noites. Tive novamente o direito a fazer o percurso inteirinho das quatro/cinco fases do sono, entrar em REM, sonhar e ter as sete horinhas sequentes de descanso mais felizes da minha vida.

Olha, ao acordar parecia que eu tinha descansado umas três eternidades. Eu experimentava um sentimento de gratidão tão grande, que buscava encontrar naquela hora mesmo urgentemente uma forma de agradecer à minha amiga a bênção que ela tinha me proporcionado. Não estou brincando, é sério! Se eu tivesse ouro em casa teria dado a ela em agradecimento. Tem minha gratidão eterna, a minha amiga querida…

Quaaaaaanto exagero, mulher, as coisas não são desse jeito não! Alguns dirão. Mas tudo fica potencializado umas mil vezes nesse período, né não? Acho que consegui descrever o que senti, de verdade. Cada um vive suas experiências de forma única, individual, intransferível. E eu estava cansada, exausta, exaurida. Nunca me senti tão frágil, impotente, meio burra e sem controle da minha vida quanto nesse período, tendo que lidar com um mundo inteiro de novos sentimentos, novas decisões, responsabilidades e obrigações. Para mim não estava sendo tranquilo. Um furacão passava por ali. E uma noite de sono aliviou bem o céu dessa tempestade toda… E claro, tudo passou, como todos sabem que passa.

Então coleguinhas, depois dessa historinha ilustrativa, considerem a sugestão de dar de presente no chá-de-bebê para sua amiga futura mamãe o tal VALE-UMA-NOITE-DE-SONO-MAMÃE! Ou dê em qualquer outra ocasião que apareça. Mande por e-mail, entregue por moto-táxi ou via postal se precisar. Mas se você for A amiga, dê! Talvez, na hora, ela não entenda muito bem o valor incalculável desse caríssimo presente que você está oferecendo, mas quando chegar a hora dela trocar o Voucher, ela vai entender, ah, se vai! E mesmo que você seja uma menina má, valerão muuuuuitos pontos no seu score para ir para o céu depois dessa boa ação praticada! Pense nisso. Suas amigas-futuras-mamães agradecerão eternamente, tenho certeza.