Mais um livro para minha filha quando crescida, O Conto da Aia.

O Conto da Aia

Revirado no meu estômago, está esse livro, e EU NÃO O RECOMENDO PARA QUEM NÃO CULTIVA O HÁBITO DE LER.
Não recomendo porquê talvez tenha sido um dos mais difíceis que li ultimamente.
Não recomendo porque as primeiras 190 páginas são arrastadas, pesadas, doloridas, num vai e vem constante de narrativa temporal confusa, repleta de absurdos e abusos repetidos.
Não recomendo porquê exige da gente uma atenção imensa para entender o que realmente se passa. Difícil digerir. Difícil segurar a indignação. Nessas 190 páginas iniciais ficamos tão perplexas e desnorteadas qto a própria narradora diante de tanta desfaçatez. Essa toada é reflexo de como ela sente a cada episódio que vive. E deve ser justamente esse o objetivo da autora. A gente se envolve e enlouquece junto. Penso que esse ritmo talvez seja para reforçar perplexidade que deve se fazer presente ao nos depararmos com histórias assim. Histórias que parecem ficção, mas que não deixam de ser sombra que ronda o doido mundo atual em que vivemos.

Sem dúvida é um livro que jamais sairia da cabeça de um homem.

Depois das 190 páginas iniciais as coisas evoluem num ritmo mais rápido, aí não conseguimos mais largar o livro até acabar. Nos confrontamos com situações onde desespero, desalento, tormento, solidão e a desesperança empurram a personagem num cadenciamento incômodo rumo um abismo pré-anunciado.
E pensamos, o que eu faria numa situação limite dessas?

Ler esse livro me lembrou outro, que li há uns 20 anos atrás, sobre uma princesa árabe: Princesa – A Historia Real Da Vida Das Mulheres Árabes Por Tras De Seus Negros Véus, de Jean P. Sasson. Senti o mesmo gosto amargo e revolta ao ver o feminino e as liberdades individuais massacradas e negadas. Um é real. O outro até que poderia ser.

E sem dúvida, embora eu não recomende a leitura dele para quem não goste de ler, desejo muito que todas nós, mulheres, tivéssemos disposição e coragem de lê-lo até o fim. E desejo que minha filha, que vai ser umas das raras de sua geração ainda que cultivará o hábito de ler coisas difíceis (esperoooo), o leia, quando tiver maturidade para tanto. Para que o vislumbre do que pode chegar a ser, de mais absurdo, não deixarmos nunca acontecer. Que nossas conquistas nunca retrocedam. Nunca. Nem um milímetro, pois tempos de liberdade são tempos frágeis. E estamos em tempos desses.

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Sobre as intoxicações eletrônicas na primeira infância

Em 2010, qdo Júlia nasceu eu ainda não tinha um Smartphone, mas um Ipod com acesso a internet me ajudou a não enlouquecer. Eu também tinha um Ipad “bem legal”, que qdo ela começou a firmar o corpo e “ver” algo, eu apresentava a ela com a Galinha Pintadinha tendo a impressão de que estava movimentando algo bom e positivo no nosso dia tão linear. E é sobre isso, e as CONSEQUÊNCIAS de um cenário todo que descrevo abaixo que é real para muitas de nós, que essa palestra trata. Ela aponta com lucidez e clareza os caminhos ruins que trilhamos no lidar com nossos filhos, derivados de toda a nossa solidão, insegurança, despreparo, hiperconectividade e avalanche de solicitações e informações que nos soterram hoje no quesito “sermos pais na era da internet”.

Para as queridas que estão na fase de cuidar de seus pequenos entre 0 e 3 anos, quem tbem tem filhos mais velhos, professoras, e quem mais tiver contato com crianças, recomendo ouvir o que ela tem a dizer. Achei importante demais tudo que ela falou.

Quando vejo amigas com recém-nascidos postando fotos de felicidade suprema no Facebook ou no Insta eu tenho certeza que a cultura da felicidade se reafirma de forma bastante injusta (salvo raras exceções).

Hoje na gravidez nos ensaios de gestantes da moda, nos vestem de fadas, princesas e santas com vestidos flutuantes, com cenários de sonhos encantados, onde a fotografia cumpre um papel de idealizar loucamente um sonho nada real. Eu particularmente não gosto dessas imagens. O período todo é muito diferente desse quadro as vezes pintado muito toscamente.

Mesmo nem todos os incômodos, ansiedades, calores e desconfortos da gravidez prenunciam na proporção real tudo que acontece com a gente nos primeiros três meses, ou no primeiro ano, ou no segundo ano da presença de um bebê na nossa vida. Ter filho é tarefa dura e exaustiva, e a nossa geração está mais sozinha do que qualquer outra nesse momento. Não temos avós, madrinhas e tias ao redor. Rodamos o mundo a procura de oportunidades de trabalho e “fundamos” família nova longe da aldeia de origem. Vi essa palestra e reconheci minha realidade materna dos primeiros tempos várias vezes no discurso dela. Isso porque vivi esse período não hoje, mas a cinco anos atrás, onde o cenário era ainda diferente, mas parte já era real. Minha empatia com as mulheres do mundo aumentou absurdamente depois que a Júlia nasceu. Meu olhar para com todas as mulheres do mundo mudou, me reconheci parte de um todo, percebendo que a maternidade seja talvez ao mesmo tempo (e loucamente) a experiência mais individual e o mesmo tempo coletiva a ser vivida por uma mulher.

Nos primeiros meses fiquei completamente desnorteada. Tinha feito “curso” de preparação, tinha lido alguns livros, mas não sabia nada da real condição de se cuidar de uma vida. Ter experimentado uma confusão e um medo nunca antes presente na minha vida fui muito, muito difícil. Os quatro primeiros meses de licença maternidade foram terríveis. Toda a família estava longe. Eu estava sozinha, todo o grupo social onde eu transitava estava lá fora tocando a vida. Os dias eram longos, as noites mais ainda. Lidar com com um bebê e suas demandas cíclicas (sono, choro, alimento, saciedade, cuidados, higiene, colo, fome, saciedade, sono, assim, sem fim), por mais ocitocina e amor que estivessem inundando tudo ali, era muito sofrido. Eu tinha uma vida ativa, agitada, meus dias eram todos diferentes um do outro, e aquele novo cenário vivido era extremamente cansativo e redundante. E eu estava sozinha. Marido com 5 dias de licença voltou a trabalhar. Vez em qdo aparecia uma visita. Mas na maioria do tempo era só eu, Júlia, e algumas telas. Lembrei muito de tudo isso ouvindo a Julieta falar. Essa palestra me trouxe tudo de volta, e me deu vontade de escrever sobre maternidade de novo, o que não faço há algum tempo.

Aqui compartilho uma versão editada apresentada pela TV cultura
https://youtu.be/CJCrRouBNAY,

E aqui a integral, que gosto mais, mas que exigem da gente duas horas de atenção – http://www.institutocpfl.org.br/2017/06/02/julieta-jerusalinsky-e-a-intoxicacoes-eletronicas-na-primeira-infancia/

De Julieta Jerusalinsky – Psicóloga pela UFRGS (1993), com especialização em clínica com bebês pela FEPI Argentina (1999), realizou mestrado (2003) e doutorado (2009) em Psicologia Clínica pela PUC.
“É inegável a importância da infância no resto da nossa vida. Por isso seria de se esperar que uma cuidadosa atenção fosse dada às nossas crianças. Aos estímulos produzidos pela cultura de cada época, as crianças reagem; através de seu comportamento, fala, linguagem e sintomas. Ela fala, questiona, informa sobre como estamos tratando a exposição dos nossos filhos ao virtual e possíveis consequências disso.”

CoisasSódeFilhaQueDesenha: é tão fácil mamãe!

Minhas coisas estavam todas sobre a mesa quando publiquei esse álbum de desenhos meus no Dia das Mães no Facebook. Júlia chegou e viu os originais que eu tinha digitalizado. Olhou e me perguntou mais uma vez (já tinha perguntado antes):
– Mamãe, por que você não faz os rostos?
– Ah, Juju, é muito difícil.
– Ah, não é não! Quer que eu te ensine? – já pegando meus desenhos.
– Eita Juju peraí, vou fazer cópias, aí você desenha os rostos em todos, pode ser?

E ela esperou pacientemente, recebeu as folhas e começou seu trabalho de me ensinar.
Terminou:
– Viu só, como é fácil?!
Todas ganharam rosto.
Todas sorrindo.
Eu transbordo emocionada.

Eu sugeri:
– Então por que você também não colore elas também?
Aí, ela reclamou, disse que gosta delas assim mesmo e que está cansada. Mas faz um e me entrega. Olha a menininha Júlia aos 5 anos o que faz: pinta meio contrariada pela encomenda recebida. Mas pinta e termina. Risca o meu nome e escreve dela, assumindo para si agora a autoria. Eita!
Um dia levo essa historia para um psicólogo me dar um help, rsrsr. Mas olha, ressignificou um monte de coisas aqui.
Acho que preciso tentar desenhar alguns rostos agora. Fui desafiada!

Maternidades – Por Juliana Cassab
Minha homenagem.

CoisasdeMãeParaFilha: livros para um mundo melhor

15 coisas que eu gostaria muito que TODAS as pessoas do mundo que tem a responsabilidade de criar um outro ser humano se atentassem.

A Feminist Manifesto

Uma pequena publicação (pequena em formato, é um mini livro. Custou na Livraria Cultura R$15,00. Tem uns 13x18cm com 80 mini-paginazinhas) mas extremamente poderosa, com a capacidade de mudar um mundo! Pode? Sim!
Leia esse livro se você tem vida sob sua tutela. É simplesmente maravilhoso! Em menos de duas horas de leitura, você vai tomar contato com uma visão de mundo necessária, uma proposta de revisão de valores absolutamente urgente a serem feitos por todos nós, e também um esclarecimento fluído, simples e descomplicado sobre FEMINISMO, que ajudará a todos, mesmo, a quebrar preconceitos e temores. Talvez se tivesse outro nome conseguisse atingir mais público. 

Tenho livros que elejo favoritos, com que presenteio, e esse tiquitito entrará pra lista, certamente!

15 things I would like that ALL people in the world who have the responsibility of raise another human being should to look at.

A small publication, (small in format) but extremely powerful, with the ability to change a world! Is it possible? Yes! Read this book if you have life under your tutelage. It’s simply wonderful! In less than two hours, you’ll be in touch with a necessary worldview, an absolutely urgent revision of values that all of us must consider of, as well as a fluid, simple and uncomplicated enlightenment about FEMINISM that will help break prejudices and fears.

I have books that I choose favorites, with which I gift who I love and this little one will enter the list, certainly!

#WeShouldAllBeFeminists
#Chimamanda
#ChimamandaNgoziAdichie