Coisas de livros, memórias e histórias: O Menino Maluquinho

Dos livros mais queridos da minha infância esse figura forte e marcante. Talvez tenha sido um dos meus primeiros. O Menino Maluquinho, do amado Ziraldo, eu encontrei numa prateleira e o li de uma vez só. Devia ter uns 9 anos.
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Agora vem história! A prateleira ficava num precioso quarto de brincadeiras na casa da Talita, colega de classe que era, por acaso, filha do prefeito da cidade. Estávamos na segunda (1985) ou terceira série (1985), pelas minhas contas, e junto de mais umas 3 ou 4 outras meninas (será que eram a Clarissa, a Manuella, a Cíntia, Talita e eu?), tínhamos um “Clubinho”, onde o objetivo era, em tardes de sábado, ao nos reunirmos na casa da Talita, bolarmos planos mirabolantes onde iríamos ajudar o mundo pintando e consertando parquinhos da cidade e outras coisinhas assim. Isso aconteceria no dia (que nunca chegou) em que o pai prefeito dela iria nos incumbir do nobre trabalho.
Me lembro da mãe primeira dama linda, morena, magra e elegante da Talita chamando a gente para a hora do lanche na mesa caprichosamente posta, com pão de queijo quentinho, talheres brilhantes, mais xícaras delicadas de chá. Chá no meio da tarde para mim era o must da chiqueza e viver aquilo tudo era como estar na Ilha de Caras, numa grande aventura no mundo dos ricos e famosos da cidade, rsrsr.
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Mas voltando ao livro, que foi o que me despertou essa lembrança. Ele estava na tal prateleira ao lado de muitos outros livros, naquele quarto cheio de brinquedos, bonecas e jogos, que era um verdadeiro oásis a meus olhinhos infantis, e nunca esqueci esse encontro.
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Voltando ao agora, eu apresentei esse livro a Juju já há algum tempo, mas hoje, na nova fase de ler sozinha, ela pegou o bonito e leu inteirinhoooo, de cabo a rabo, descobrindo as partes picantes (que ele tinha 10 namoradas e recebia mil beijos de cada uma) ou muito tristes (da separação dos pais dele), que eu omitia em minha leitura para ela.
Alegria, alegria e delícia de memória de dois tempos, que registro hoje, para guardarmos para sempre.
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E ver se traz à essa semana tão difícil, um pouco de leveza. Boa noite!

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Coisas de Juju que cresce: agora eu leio sozinha!

julialê
Aqui, o caminho escolhido foi o do aprender a ler mais tarde, sem pressa, entendendo que talvez fosse melhor assimilar antes, questões como o brincar, o imaginar, o desenhar, o construir, o interagir e lidar com o outro de forma amorosa e respeitosa. O querer ler veio com utilidade real e com propósito, com satisfação e entendimento da importância e lugar no mundo para essa conquista tão importante. – Mãe, não precisa ler hj que agora eu que leio tá?! Ela repete o quadro em que fomos juntas personagens e eu protagonizei ação, quase um setênio inteiro. Mãe lendo e contando histórias para filha na rotina de recolhimento diário.
E meu coração se enche de alegria, orgulho e um tico de dor por ver fase linda mudar para a próxima.
Agora minha filha conquista autonomia, se faz independente, capaz de ler finalmente por si um mundo inteiro através da revelação dos códigos das letras. Já pensaram que para isso é preciso também preparo? Já ouviram dizer que o cérebro humano não tem cognição para entender isso com a devida leveza e alegria antes desse tempo? A leitura vai lhe abrir olhos e coração para questões tanto felizes qto tristes. Tanto de amor, qto de dor. E mais uma vez, feliz fico por saber que isso não foi antecipado. E que vem num momento onde mais madura, vc tem mais estrutura para entender e enfrentar melhor o que será descortinado diante dos olhos.

Claro que houve por aqui medo e ansiedade, claro que teve por aqui preocupação. Se manter distante do senso comum vigente tem suas dores, e não são poucas.

Mas agora, felizes esses dias de conquistas suas! Que voe longe, passarinha, sabendo que estou sempre por aqui, se precisar. Amo.