CoisasdeTristePartida: meNina que vai

Juju, hoje é dia de registro de partida. Dia muito triste, quando a gatinha Menina, a Nina que foi a “criança” da nossa vida 10 por anos antes de você chegar, foi para o Céu dos Gatinhos. Agora, aos 15 anos já, estava velhinha, cansada e precisava mesmo ir. Para você entender, é como se ela tivesse uns 76 anos se fosse uma pessoa como nós.

NinanoCéudosGatinhosFilha, ao te contar hoje que ela se foi, foi a primeira vez que eu te vi muito sentida e triste de verdade. Na sexta passada ela foi para o Dr. Veterinário, já doente e no sábado vc adoeceu também, meu amor. Durante todos esses dias antes da partida dela, vc também esteve dodói junto. Isso me mostra o tamanho da sua sensibilidade e me deixa mais certa da importância e energia que eles representam em nossas vidas. Como você mesma disse e desenhou, ela deve ter reencontrado os irmãozinhos dela lá no Céu dos Gatinhos.

Você me disse também, entre muitas lágrimas, que não queria esquecê-la. Vou então contar umas coisas para vc não esquecer dela mesmo, tá bom!?

Sua mamãe sempre foi alérgica a gatos. Tinha alergia gigante deles. Seu papai por outro lado os amava, desde sempre. E sempre tinha convivido com os seus gatinhos. Um dia eu comecei a trabalhar num lugar onde eu queria muito estar e aprender. E ali era a minha oportunidade. E ali, os donos tinham dois gatos, gigantes, peludos e queridos. No primeiro mês, eu achei que ia morrer, de tanto que passava mal naquele ambiente onde o Mr. Cat e o Lion eram reis. E claro, se alguém tivesse que sair dali, este alguém seria eu. E eu insisti. E insisti. E insisti. E insisti mais. Até que se tornou possível o convívio e ficamos todos. Meu organismo, depois de um tratamento de choque de exposição prolongada se acostumou a não reagir tão violentamente aos tais felinos.

Nisso, em casa, tendo essa barreira sido superada, eu imaginava o quanto um gatinho faria bem ao seu papai. E num outro dia, depois de ele muito me questionar se eu conseguiria mesmo fazer isso, ele feliz saiu para ir comprar um gato, talvez um siamês, conforme eu estava sugerindo. E ele voltou com uma gatinha vira-lata sapeca parecida que tinha sido pintada a mão por Papai do Céu, que estava última, sozinha, numa gaiola de doação ao lado da gaiola imponente dos gatos de raça num Pet Shop. Ele conta que a atendente a colocou em seu colo, e dali ela não largou mais. A Nina era a preferida do seu pai.

Nina era mesmo A Gata. Nossa gata. A figura que cuidava da casa. Que adorava deitar na barriga da gente. Que de dentro do apartamento do terceiro andar sabia que o carro que estava entrando na garagem do prédio era nosso. Que esperava na porta antes de chegarmos fazendo festa como os cachorrinhos o fazem com seus donos. Que adorava beber água fresca na torneira da pia do banheiro, e se enfiava debaixo dela, pra molhar e refrescar o dorso. A gata que gostava de tomar banho. A gata que parecia entender a tristeza da gente, se exasperando ao nosso redor quando nos via tristes ou sentindo dor.

A gata que me fez acreditar no que dizem as histórias milenares sobre a proteção que seriam os felinos capazes conceder a seus donos, por amor. Há uns 3 anos, na mesma semana em que papai teve de passar a tomar remédio para pressão, Nina, para nosso assombro, na tranquilidade do nosso quintal de onde nunca saía, sofreu um Acidente Vascular Cerebral. Coisa que nunca tínhamos ouvido na vida saber que podia acontecer com um gato. E sobreviveu. Muito forte e batalhadora essa Menina. E continuou por aqui, quando nos últimos dois anos começaram as falências normais da velhice.

Filha, vc não vai esquecê-la. Porque a gente não vai. Quem nunca teve um bicho talvez não consiga compreender e ache exagero o que se passa com o coração da gente numa hora dessas. Mas ela foi parte da nossa família, da nossa história. Ela fez nossa vida leve. Ela alegrou a casa, as nossas chegadas. Fez preocupadas nossas partidas. Ela nos fez companhia. Sua presença pesou sobre decisões e até rumos tomados. Aprendemos com ela lições. Uma delas, e talvez, a mais importante e que queria que vc assimilasse quando tiver discernimento para isso, é a de que compromisso e responsabilidade assumida com a vida que tomamos à nossa tutela é absoluta e a qual temos a obrigação de manter, até no limite das nossas possibilidades, por humanidade, por amor, por decência.

Nina, muito obrigada por tudo. Que seja mais feliz agora, finalmente livre de verdade, respeitada só assim na sua essência animal. Te fizemos cativa, domesticada, presa, humanizada adaptada às nossas carências. Seria direito? Principalmente pelos últimos anos, nos desculpe. E que o Céu dos Gatos a acolha agora livre da casca velha e pesada que carregou nos últimos tempos.

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