CoisasdeMãeParaPai: mais uma oração, essa a todos os pais (e por que não mães?!)

Papai
Papai,

Que a necessidade de manter seguro não faça sufocar, nem pai, nem filho, nem família. Que menos se ouça “não faça, não vá, cuidado, não pule, não se aventure”. Há tempo de se deixar ir e aprender a voar. Que se façam mais espaços para a sua criança cair da árvore, ralar joelho na corrida ladeira abaixo, raspar o tornozelo no pedal da bicicleta que dispara. Pois são esses pequenos apuros da infância que preparam a criança, assim provando um tico dos grandes amargos da vida, que inevitavelmente virão aos baldes em breve. Que virão em lugares onde não estaremos presentes para adoçar, ser mão que ampara, barreira e proteção. Pois medo é prisão. Coragem se ensina e se aprende. Liberdade é vida. Que nosso filho tenha vida em abundância para ver e viver. E voe, sem ter que olhar para nós.
Tem um trechinho do filme Procurando Nemo temos o seguinte diálogo entre Dory e Marlin:
Marlin: “Eu prometi que nunca deixaria nada acontecer com ele…”
Dory: “Coisa engraçada de se prometer. Se você deixar nada acontecer com ele, aí nada vai acontecer com ele. Não seria bacana pro Nemo.”
Entende?

Que a melhor viagem é ali para a casa da vovó, do vovô, dos queridos. E são os abraços e a alegria da chegada, e o amor sem fim que aperta os laços, que ficarão gravados no coração, memória e identidade. E que pouco, muito pouco se comparam a isso experiências de grandes quilômetros percorridos em busca de diversão feita de plástico com hora marcada para começar e acabar.
Tem um filme chamado O Pássaro Azul, onde um casal de irmãos iam revisitar os avós, já falecidos, numa viagem fantástica de sonho. E me lembro de uma alegria só em preto e branco desses avós, explicando aos netos que eles não haviam morrido não, e sim que estavam adormecidos. E que eles sabiam que as pessoas se lembravam deles quando acordavam, pois estarem acordados era o sinal de que alguém querido estava se lembrando deles, em memórias e pensamentos.
Mas olha que maravilha, agora ainda é tempo de ver avós ali ao alcance apenas de uma visita, bem acordados, para que papéis se cumpram e amores se construam. 

Que se tenha a consciência que a forma como pai trata mãe, constrói identidade de filha, e vice-versa, e regra de três. E quanto mais amor e respeito essa família cultivar no dia a dia, mais amor e respeito-próprio nossas crianças levarão e exigirão do mundo. Que consigamos resgatar na criança que fomos, com mais consciência de que, o que nos tornamos, é quase que consequência total do que vivemos lá atrás. E que por isso, nossa responsabilidade com o nosso hoje se faz tão imensa e necessária.
Tem uma música linda do Padre Zezinho que começa assim: “Que nenhuma família comece em qualquer de repente. Que nenhuma família termine por falta de amor”.
Não é?

Que presença é marca indelével, como tatuagem bonita que se ostenta orgulhoso por uma vida inteira. Que ausência é cicatriz eterna, marca inclusive a alma e que dói ainda que se passem anos, naqueles dias tristes de frio. Que nossa criança tenha lindas tatuagens coloridas e lindamente traçadas com capricho de artista. E que se faça mais clara a visão de que não é o que se dá, mas o que se vive junto é que ficará na memória e no coração. E mesmo se a casa for pequena, o aconchego e a segurança de que ali é o lar, é que ficará na memória, e não as amplidões vazias e carentes da gente, tão atarefados em encher aquele espaço de coisas inúteis.
Que você um dia ainda leia O pequeno príncipe e entenda algumas das suas lições universais. E se tiver paciência para ler esse longo texto mais um pouco, veja esse trechinho do livro, onde o pequeno afirma que “As crianças têm de ter muita paciência com os adultos”. Uma visão do que acabei de lhe dizer:
(…)“Se lhes dou esses detalhes sobre o asteróide B 612 e lhes confio o seu número, é por causa das pessoas grandes. As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: “Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?” Mas perguntam: “Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?” Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: “Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado…” elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: “Vi uma casa de seiscentos contos”. Então elas exclamam: “Que beleza!”
Assim, se a gente lhes disser: “A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existe” elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: “O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612” ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes.”
Concorda?

Que o desejo de acertar sempre, e a certeza antagônica de que haverá erros, não exclua o recomeçar a qualquer momento, porque quando se recomeça é que ainda se tem esperança. E amor!

Amém!

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