CoisasdeJujuCrescendo: história de 4 dias de vida e a partida de um Pidovinho

IMG_3927Em 7 dias de um mês de férias, acontecem muitas coisas. Coisas que marcam e mudam o coração de uma criança. Coisas que de acordo com a forma como nós adultos, as conduzimos, servem para ensinar e ajudar na compreensão do mundo. Agregam vida na vida da gente, mesmo que seja uma experiência dura de perda e morte. Por aqui vivemos nessa semana uma dessas experiências, que com certeza vão contar pruma vida toda. Busquei agir da melhor forma possível. Espero ter conseguido.

Essa história resolvi contar como imagino que Juju registraria, porque é dela a vivência e a dor maior com ela. Segue…

“Nessa semana eu conheci dois passarinhos que ocuparam meus pensamentos o tempo todo. No domingo passado, fui ao SESC com a mamãezita e quando atravessamos a rua, vimos um passarinho quase ser atropelado por um carrão. Upa, foi por pouco! E acho que o vi voando, escapando por um triz daquela roda gigantesca. Fiquei muito, muito preocupada, mas mamãe me disse que ele conseguiu se salvar! 

Aí, na quarta-feira, no meio da tarde eu estava brincando com meu amigo, quando vimos um outro passarinho caído do ninho, bem no meio da entrada minha garagem. Eu até pensei que fosse aquele que vi escapar dias antes, mas logo entendi que era um filhote. Um filhotinho caído de um ninho que estava muito alto na árvore. Ele era pequeninho, cinza, tinha um bico engraçado e tremia muito.

 Depois de muito conversar com as pessoas que estavam ali perto da gente, minha mamãe o pegou e colocou numa caixa. Fomos comprar comidinha e começamos a tratar dele.

Dei a ele o nome de Pidovi. Meu passarinho Pidovinho, uma fofurinha! Vi como ele abria o biquinho para receber o papá e a aguinha. Vi que ele fazia muito cocô e xixi e que fechava o olho quando recebia carinho. Mamãe me dizia que talvez ele não conseguisse resistir, que ele tinha caído de um galho muito alto. Haviam momentos em que ele parecia muito forte, e outros em que parecia muito fraco. Queria pegar mais ele, carinhar, mas a mamãe dizia que era melhor esperar ele ficar melhor, pois ele estava muito frágil ainda. Mas eu ajudei a dar comidinha. E contei para toooodo mundo que encontrei nesses dias que tinha um passarinho em minha casa! E convidei as pessoas para que viessem vê-lo também. E ele recebeu várias visitas importantes!

De quarta até domingo teve bastante movimento por aqui por conta do bebê Pidovinho. Só que nesse domingo de manhã, quando acordei, antes mesmo do café da manhã, mamãe veio me contar uma história com um livro novo, que eu nunca tinha visto antes. Uma história de passarinho. Estranho ela contar história na hora de acordar, pois aqui em casa, hora de história é sempre quando dormimos. E a história era a de um passarinho que morreu, e que foi para o céu junto do Papai do Céu. E aí mamãe me contou, que o meu Pidovinho também tinha ido, igual ao passarinho do livro. A mamãe chorou comigo nessa hora e também chorou de novo comigo na hora em que eu fui me despedir dele, quando o Papai Rodolfo o enterrou. Rezamos juntas e pedimos para que o Papai do Céu cuidasse bem dele, e como meu vovô Zé também está por lá no céu também, pedimos para ele ajudar.

Vou sentir muita falta dele, muita saudade. Sentir isso tudo é muito ruim…”

E é isso. Esse domingo de férias de julho foi um dia muito triste por aqui.

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