CoisasSobreAmamentação – porque me cobria

Eu nunca consegui amamentar em público sem me preservar através de um paninho.

Era uma questão minha, embora eu apóie absolutamente o ato da amamentação, sendo feito onde necessário for, eu mesma não conseguia fazer sem me preocupar com o entorno. Acredito que enquanto nós, mães, vivemos com uma intensidade literalmente visceral a maternidade e todos os aspectos que ela nos traz, o resto do mundo vive outra vibe. Não estou falando daqueles que nos lançam olhares verdadeiramente enternecidos, principalmente vindos de outras mamães e avós. São os olhares e atitudes dos que estão em outra sintonia, onde nunca se ouviu falar dos termos que vagam confortavelmente em nossos corações e vocabulário como Alimentação Saudável, Criação com Apego, Amamentação Prolongada. E dentre essa sintonia não há só pessoas desinformadas ou intolerantes, mas lá também habitam os maus, gente. Sim, os maus de coração. Tinha medo do abuso que podia sofrer vindo de mentes impuras, doentes e distorcidas. Muitas vezes eu podia reconhecer em alguns olhares uma gama absurda de sentimentos que deveriam serem varridos das mentes das pessoas, mas que não são. Para eles, tentar explicar que amamentar, o ato de desnudar o seio em público para simplesmente oferecê-lo como fonte de alimento a um bebê não tem NADA de errado, vergonhoso, ostensivo ou condenável seria uma perda imensa de tempo. Amamentar é algo natural que faz parte da vida. Mas seria natural também que todos pudéssemos conviver pacificamente em todos os nossos termos ou escolhas pessoais. Sem medo de sermos roubados em nossa integridade, física, material ou moral sendo ameaçada pela maldade alheia. É nessa maldade alheia que penso quando me cobria ao amamentar.

Você pode andar hoje pelas ruas com seus pertences mais valiosos à mostra tranquilamente sem correr riscos absurdos, inclusive de perder a vida por isso? É possível permitir que nossos filhos crescidos vaguem livremente pelos espaços públicos?

Outra imagem que sempre me vinha era da avozinha de meu marido, Dona Adélia. Uma amada e respeitada matriarca espanhola que, do que tinha de miúda, tinha o tamanho proporcional em força interior. Rígida, braba, quando via qualquer assunto relativo à sexualidade, nascimento, essa “coisas” na TV, crispava os olhos e a boca, falando:
-Mirra! Que pôca verguença!!!
Nunca me esqueço dessa expressão dela nesses momentos.
Gente, como vai explicar para uma senhorinha de 80 anos sobre nossos valores, como?! Adianta? Vai mudar? A ela, e aos que pensam como ela, pelos motivos que sabemos que as levam a pensar assim, muito, muito respeito! E pronto.

Uma fraldinha e estava velado, protegido. O que se passava ali continuava perceptível. Sem ferir os olhos de ninguém que não estivesse preparado para vi-ver isso. Muito pena deles. Simples assim. Gostaria muito que fosse diferente. Mas nunca, desse direito meu e de minha filha nos deixei privar.

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Um Comentário

  1. Comigo não foi diferente, na verdade, realmente evitava sair de casa por períodos muito longos, para fugir da necessidade de alimentar Alicinha fora de casa, mas sempre achei que era coisa minha, timidez! A mesma que fazia que até dentro de casa só amamentasse no quartinho dela e com a porta fechada! Rs… Juro-te que somente depois de um bom tempo, larguei minha igenuidade e percebi que haviam mesmo pessoas incapazes de pensar na naturalidade do ato de amamentar! 😦 Tb tenho pena… E tristeza…


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