Coisas que a mamãe fez pra Juju – mais um livro, memórias, músicas, fotografias e declarações de amor

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Vovô Zé, vovó Landa, Juju mamãe e bisa Mariana mandando bjujus uma para outra.

Júlia querida, vou te contar um pouco sobre seu Vovô Zé. Ele foi uma figura e tanto e sinto demais que você não possa ter tido a oportunidade de conhecê-lo.

Era vaidoso, e isso pode ser visto através das coisas que ele valorizava e que agora vou colocar em um bauzinho de pequenos tesouros pessoais para entregar para você guardar em seu coração. Um anel, uma pulseira, seus lenços de pescoço, seus troféus, suas fotografias e suas músicas. Pode-se adicionar também um precioso diploma de quarto ano de grupo, com o destaque de ter sido sempre “o primeiro da classe” e a lembrança orgulhosa de ter tido aulas de francês na escola, embora desconhecesse sua própria língua mãe. Ah, e um grande orgulho em ser libanês, “importado”, “beduíno”, como gostava alegremente de dizer.

Vou falar de duas dessas paixões. Que claro, colaram na mamãe e que ocupam também lugar de destaque em nossas vidas hoje.

Ele gostava muito de fotografia. Fotografar as filhas, registrar. Ele é de um tempo em que se contratava um fotógrafo especialmente e que era um grande evento e uma solenidade o momento do registro fotográfico familiar. Ele nasceu no ano de 1924, 100 anos depois que a primeira fotografia foi tirada, mas mesmo assim, na sua época, fotografar ainda era uma grande novidade, acessível e restrita a famílias endinheiradas e símbolo de status, dá para acreditar, Juju?

Seu avô providenciou um “fotógrafo oficial” para a mamãe, o Dalbello, profissional que clicou e entregou para gente aqueles verdadeiros tesouros da vida, registros de mamãe Juliana quando bebê, família, amigos, aniversários… Consigo me lembrar ainda da sua figura, e sua presença firme nas nossas memórias, sempre citada com carinho e respeito mesmo anos depois. Entregou álbuns com preciosas fotos, lembranças que parecem irão durar uma eternidade e através das quais você terá a oportunidade de conhecer um vovô querido e amoroso através dos olhares que ele lançava para mamãe, registrados ali lindamente. Entregou também posters imensos com os quais vovô enfeitava as paredes da casa da fazenda, e que se não fossem nossas sucessivas mudanças para lá e para cá tenho certeza que resistiriam bravamente até hoje.

Outra coisa que seu avô gostava demais era de música. Ouvir, cantar, até fazer de conta que sabia tocar. Naquela época elas vinham em fitas cassete, bolachas enormes de vinil e ondas de radio AM. Seus discos eram recheados de tangos, boleros e canções clichê de um estilo chamado dor-de-cotovelo-brabo. O cantor preferido dele se chamava Nelson Gonçalves, um cantor que tinha uma linda voz, mas que era gago. Suas músicas todas mamãe sabe de cor, de tanto escutar junto com seu avô. Tanto que consta nos autos da minha biografia, Juju, que a primeira “musiquinha” que aprendi a cantar foi “Boneca de Trapo”, canção trágica, baluarte-estandarte máxima do estilo boêmio que absolutamente nada tinha a ver com bonecas de brinquedo e canções de ninar. Seu avô me levava para passear e tenho a lembrança de ouvi-lo pedir “Canta Juliana”, e comigo no colo, cantando junto, ele todo orgulhoso exibia a filhota para o gentil espectador, vítima daquele momento papai-babão que todo pai é.

E essas lembranças/ heranças se fizeram muito fortes e presentes na vida e na formação da mamãe, querida Juju. Te contei essas duas passagens para você entender um pouco dos porquês de mamãe ser como é, e ver que a gente acaba repetindo mesmo com os filhos a vida aprendida/vivida com nossos pais. Nesse caso, é muito forte como repito com você os comportamentos de seu avô. Vixi! Preocupei agora, rsrsrs.

Estou trazendo essas lembranças agora para contar que repeti inconscientemente tudo isso no livro recém-criado para você, filha. Um livro que intenciona registrar para sempre as musiquinhas vividas por você nessa sua primeira infância, até seus 2 anos e meio em meio a fotos tiradas em um momento de brincadeira de Juju pulando e rodopiando pela casa, com seus brinquedos, livros e coisas de criança. E essas lembranças da mamãe sobre seu avô e essas relações todas surgiram depois, quando comecei a selecionar as musiquinhas de Juju e juntá-las a esses lindos registros, feitos pela fotógrafa oficial de Juju, a mamãe Juliana.

Divido e convido vocês a curtirem, se encantarem e dançarem junto com a gente, e tudo que somos fruto, desse emaranhado de amores e memórias. Um livro para a filha que faz a mãe, que é retrato cantado do vovô e que se faz espelho de volta para neta.

Clique aqui – http://issuu.com/JulianaCassabLopes/docs/jujubrincapb_dcff9cc70bb13f?e=7317205/2938199 – e veja o livro novo de Juju para folhear.

E abaixo algumas páginas.
Livro Vamos Brincar? Capa dura, formato 30X30, 50 páginas.

para blog

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  1. Lindíssimo seu trabalho, me emocionei…Sou tão largada com as fotos da minha filha, admirei demais todo o amor e carinho que você conseguiu colocar nos álbuns. Uma verdadeira inspiração…. Você trabalha com esse tipo de diagramação para fora????É muito caro???Abraço.

    • Muito obrigada pela visita e pelo elogio Jucelaine. Tentei transformar esse trabalho num serviço sim, mas no momento o projeto está em pausa. Sempre penso em retomá-lo e fico muito feliz quando recebo esse tipo de retorno pois sinto que consigo sim tocar outras pessoas com ele :). Se eu conseguir me organizar te aviso tá?! Beijo!


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