Coisas de Juju e a Escolinha – Como foi meu processo de escolha – 1

Jujus
Quando converso com amigas em dúvida se colocam ou não seus filhotes na escolinha, vejo sempre as mesmas questões surgirem. Então escrevi esse post pra dividir como lidei com tão séria e exaustiva questão nesse nosso mundinho materno. Cada caso é um caso, cada “configuração” familiar é única. Mas acho que vale dividir a minha experiência por aqui, por que sempre tem alguém que se identifica com a gente nessa ImensaBlogosferaMaternadeDeus e posso indicar o post para as amigas em dúvida do começo do parágrafo, rsrsrs. Vai lá no blog, e tal!

Será que não é muito cedo? Como escolher o melhor lugar? O que é preciso ser visto? E essa história de métodos e pedagogias? Será que ele(a) vai sentir muito? Quem vai chorar mesmo? Quanto vai custar? Quantas horas? Que período?
SOS, MAYDAY, SOCORRO GENTE, COMOÉQUEFAZ??? Juro que me sentia assim…

Eis minha situação na época. Devido a uma mudança de cidade ocorrida quando a Júlia tinha 4 meses, ficamos longe da família e dos amigos, e eu fiquei de SódeMãe em tempo integral a partir de então. Minha pequena ia fazer 1 ano e 3 meses e eu seguia cuidando dela. Logo no início de 2012, no início do “ano letivo”, a princípio, fui pesquisar sobre matriculá-la na escolinha, mais por sugestão de muitos queridos a minha volta.

Argumentos deles:
– Assim eu poderia retomar minha vida profissional, que estaria me fazendo falta produzir.
– Assim eu iria deixar de viver tão intensamente só a vida da Júlia, que segundo eles era o que estava acontecendo de forma muito forte e negativa para mim.
– Que o fato da Júlia estar crescendo longe de avós, tios e primos, numa cidade nova, onde eu ainda não tinha conseguido fazer muitas amizades para movimentar a vida e a casa, era um fator importante a me motivar a vê-la se juntar ao convívio de outras crianças no espaço da escola. Que ela precisava disso, e que isso ia colaborar muito para que ela se “desenvolvesse”.
– Que seria bom para mim, porque iria conhecer e conviver com outras mães (eu não tinha contato nem com as virtuais dos blogs e grupos naquela época. A tal blogosfera ainda não estava muito presente no meu dia-a-dia. Não dava tempo para eu ficar na internet, Juju me consumia em 100% mesmo)
– Que iria ser muito bom para ela, que era muito dona do mundo e que precisava perceber o outro…

Mas naquele comecinho de ano eu não consegui. Estava cheia de medos, acreditava que podia sim, continuar um pouco mais a cuidar só dela, além de que, se pra mim era um possibilidade, que pra maioria não existe, como eu ia abrir mão disso? Isso não faria de mim uma má mãe?

E entre meus pensamentos auto-argumentativos estavam:
– “Jesuis, mais eu só fui para escola com 6 anos, e ficou tudo bem com meu social, não me tornei um ser selvagem (será?).”
– “Mas, Senhor, filho é coisa apegada com a gente mesmo, porque estou tão errada?”
– “Hum… melhor esperar ela começar a falar, para ela poder verbalizar o que acontece na escolinha – e assim ME acalmar, ehehe”.
– “Será que vale a pena o que vai ser gasto com uma boa escolinha + empregada + combustível (moro numa cidade grande) X o que vou ganhar?”

E a idéia era só de ser meio período, pra tanto drama… E roda 1, 2, 3, 4, 5 escolinhas recomendadas ao redor… Uma coisa muito legal que aconteceu em uma das escolas visitada foi a empatia demonstrada pela coordenadora e a força que ela me deu para esperar um pouco mais, já que eu demonstrava tanta relutância.

Esperei e a coloquei na escolinha 4 meses depois. E nem foi tanto tempo assim mais adiante. Mas foi o que precisei para me sentir mais segura. Na verdade, justamente algumas daquelas coisas todas que os queridos diziam começaram a apertar mesmo.

Meus novos pensamentos auto-argumentativos:
– Eu realmente estava sentindo MUITA falta de produzir, criar, trabalhar. Sinceramente me sentindo sufocada. Como somos contraditórias, né? E foi justamente nesse período que começou a nascer a idéia das CoisasSódeMãe.
–  A Júlia ficava o dia todo comigo, e por mais que eu me desdobrasse, parecia que eu não conseguia fazê-la gastar todo seu gás. O dia acabava, mas ela continuava “acesaça”.
– Me convenci que sua convivência restrita a nós, pais, pelo fato de estarmos longe de família e em adaptação na nova cidade, não estava sendo mesmo boa pra Juju. Além de sermos superprotetores, as vezes, faltava referência de como agir a cada fase ou situação. Era realmente preciso sair da caixa.
– E para piorar as coisas, fiquei quase 2 meses sem ajuda de faxineira ou empregada, o que me deixou louca e esgotada, rsrsrs.

Então, ficou decidido levar Juju para ficar 4 horas e meia do seu dia na escolinha!!! Abaixo, um textinho escrito naqueles dias pra mandar pra uma amiga pedagoga querida com meus motivos para escolher a escolinha que a Ju passou a frequentar. Meio também que tentando organizar todos os meus pensamentos que estavam em pane naquele momento e tentando me AutoConvencerAfirmando que estava certa em minhas decisões. Entre as muitas dúvidas, muitas visitas a escolinhas diferentes, conversas com pessoas próximas e disponíveis (que não eram muitas) e muitas coisas a pesar. Aqui mesmo no blog, vocês podem ver em Coisas de Juju e a Escolinha, como foi a minha experiência com os primeiros dias. Coisa de novela mexicana, rsrsrs.

“Sobre a escolinha escolhida.
Juju começou a ir para a escolinha com 1 ano e 7 meses, em maio desse ano (2012). Eu já vinha procurando e visitando algumas desde o fim do ano passado, e decidi pela escolinha onde a primeira ordem é brincar, brincar e brincar.

Entre várias coisas vistas, decidi pela escola X porque:
A única escola visitada que abria suas portas diariamente para visita, em todos os dias da semana, em horários pré-definidos nos períodos manhã e tarde, sem que o agendamento tivesse que ocorrer com antecedência de dias. Isso me inspirou confiança e transparência.

Proposta de pouco papel pra entregar para os pais no fim do ano, muita brincadeira pra Juju aproveitar suas 4hs e meia diárias longe da mamãe coruja. Criança de 1 ano e 7 meses tem que brincar, eu acho. Fazer atividades para registros em folhas e pastas alegram os pais que tem a sensação de que o filho já está “aprendendo”, mas o que se tem de aprender nessa idade? A brincar junto com o outro, a cantar, a pular, a dividir, a cair e levantar, a se expressar com a fala e com o corpo, a abraçar, a carinhar, cuidar e se importar com o outro e com as coisas do outro…

Procurei grama, terra, galinha, peixinho, tartaruguinha, areia, mangueira, td num espaço nem tão grande para se perder, nem tão pequeno para sufocar. Eu sempre fui super-protetora. Nunca gostei de terra, e se não tivesse alguém que fizesse isso por mim, Juju ia perder essa parte deliciosa de brincar. Visitei escolas que me pareceram verdadeiros quarteizinhos, com salinhas onde as crianças ficariam com atividades adequadas a sua idade cronometradamente por meia hora. Espaço de escola tradicionalíssima, que me lembraram o colégio de freiras em que estudei lááá em Ituiutaba. Ok, excelente proposta, inspirava organização, confiança, seriedade, mas para a MINHA criança de 1 ano e 7 meses, acho que isso ainda não seria necessário viver ainda. E haviam ainda outras escolinhas lindas na proposta toda, no trato das pessoas e nos espaços internos, aconchegantes, gostosos, mas sem nenhum quadradinho de terra sequer pra criançada pisar, só grama artificial (essa na verdade foi o único senão que encontrei lá). Com 1 ano e 7 meses até pelo menos uns 3 a escola deve, na minha concepção, ser uma extensão da casa, um lugar onde a criança deve entrar pulando do seu colo para o da pessoa que a recebe, confiante, alegre pelo que vem nas horas seguintes. Porque deve ser um lugar para se continuar a ser feliz, como se é em casa com a mamãe e com o papai. Deixa para entrar em métodos e obrigações e a ter coisas para cumprir um pouco mais tarde, a vida vai começar a cobrar logo. Ela vai ter que passar boa parte da vida na escola, com formalismos a seguir, com coisas a assimilar. Não deve ser eu que vá iniciar isso tudo tão cedo, se posso escolher esperar um pouco mais…

Gostei das refeições onde todas as crianças participam juntas. Achei escolas em que você escolhia se a criança participaria das refeições, não gosto da idéia de que uma ou outra fique de fora. Quer exercício de sociabilização mais gostoso que o de se sentar a mesa junto pra dividir uma refeição? Encontrei escolas também com uma proposta onde os lanches ficavam a cargo dos pais, que se responsabilizariam em dias estabelecidos pelo lanche coletivo, com a proposta que essa forma de condução serviria pra justamente para promover a sociabilização. Não gostei dessa maneira de se fazer as coisas. Alimentação é coisa muito importante.  Mesmo que seja só o lanchinho. De onde ela vem e como é feita é algo sobre o qual a escola tem que se responsabilizar seriamente.

Perto de casa. Numa cidade como Campinas, há muitas opções de escolinhas excelentes, com AQUELA proposta dos sonhos, mas que ficam lá do outro lado da cidade. Uma hora pra ir e uma pra voltar, rsrsrs. Fazer isso eu não quero. Se aqui perto tem algo que nos atende, vou optar por isso. Sem sofrer. Se for o caso mais adiante, e essa outra proposta se tornar algo essencial a ser obtida, mudamos de endereço, rsrsrs.

Horário de frequência para depois do almoço, período da tarde. Campinas é frio, e acordar cedo, e sair da caminha quentinha no inverno é judiação. De manhã fazemos coisas juntas, ela dorme o soninho do dia antes de ir, brinca a tarde inteira e chega com o combustível baixo, pra dormir cedo e deixar a mamãe livre para namorar um pouquinho, ver um canal de tv que não tenha Kids ou Disney no nome, essas coisas impossíveis até então para quem não tem uma vovó ou titia por perto para deixar a menininha vez em quando.

Professores e equipe de coordenação atenciosos, escola certificada e devidamente fiscalizada pela prefeitura, a experiência de mães ao meu redor com seus filhos que já estudaram nela, sendo que uma era pediatra. Acho que devo ficar tranqüila.

E vamos lá ver na prática como todas essas promessas se cumprem! “

Hoje lendo esse texto escrito ano passado, vejo que o que eu buscava “basicamente” era um lugar com o qual eu estabelecesse uma relação forte de confiança e que cuidasse MUITO BEM da minha preciosidade maior. Era isso que eu queria. Acho que nesse ponto, fui muito bem atendida.
Claro que, na prática,  vemos que as coisas são passíveis de erros, as necessidades mudam e as altas expectativas precisam baixar ao nível da realidade, que também vai se modificando.
Entendo hoje que, como muitos me disseram, a escola perfeita não existe. Nunca haverá algo 100% adequado ao que achamos o ideal. Impossível!
Lembrando que foram as minhas escolhas, de acordo com o que eu acredito e precisava naquele momento, e que cada um, tendo seus próprios critérios, faz as suas.
No post 2 volto ao assunto e conto como foi esse primeiro período de frequência da Juju na escolinha, quais foram as questões que surgiram. Vou parando por aqui, pro post não ficar mais longo ainda.
Mas fecho afirmando que valeu totalmente a pena. E que faria exatamente o mesmo caminho de novo.
Volto breve com a parte 2 do assunto!

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  1. Adorei seu texto! Em tempos em que todos querem entupir os filhos de atividades acho que o brincar, brincar e brincar ainda é o melhor. O contato com a natureza é essencial em nosso mundo de concreto. Sou apaixonada pela escola que você escolheu e quando tiver filhos ela será minha opção pela experiência que tenho com as crianças que vi crescendo naquele ambiente.
    Beijos

    • Kaká, muito obrigada! Pela visita e pelo comentário. Também acho que o resultado do que temos lá fica claríssimo nas crianças. O filho de uma vizinha foi uma de minhas melhores referencias do que o ambiente proporciona… Quero minha Juju feliz e educadíssima, como ele é 🙂
      Bjs!

  2. Nossa Juliana, me identifiquei demais com você! Eu também tinha os mesmos medos, porém eu já deixava ele com uma babá, mas na escolinha é super diferente.
    Eu adorei o seu texto, hoje o Murillo ta na escola que a lei é só brincar, brincar e brincar! Não existe lugar perfeito mesmo, igual ao nosso lado, mas achei uma que me passou muito confiança.
    Beijos Ca

    • Oi Camila! Muito obrigada pela visita e pelo comentário. E não tem jeito né, mãe é mesmo quase tudo igual… Acho que nossos pequenos, uma vez acolhidos felizes e seguros por esse primeiro espaço tão importante, vão levar esse sentimento bom pra vida. Nessa hora, vale a pena a gente se descabelar e rodar até ficar tranquila de verdade. É o primeiro contato com o mundo longe da nossa asa. Tem que ser tudibom, pra gente e pra eles.
      Bjs e volte sempre!


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