Coisas de primeira vez 9 – o pito da professora… na mamãe

Depois de um mês completo de aula, aconteceu a primeira acareação da mamãe aqui com a professora e a coordenadora da escolinha. Por que acareação? Porque somos todas testemunhas de um mesmo crime: a mamãe Juju que não deixa a filhota Juju crescer.
– Você quer mantê-la bebezinha para sempre, o que ela definitivamente não é mais, Dona Juliana?

Diálogo 1 registrado entre as partes:
– Do que você a chama?
– De Júlia, uai!
As duas trocam olhares.
– Tem certeza que você não a chama de bebê? – a professora me inquiri meio séria, meio zombeteira.
(Sim, sim, eu ainda a chamo de bebê, de Juju, de neném, de Jupi, de Tuki, de Tukinha, de Juki, de JukiTuki, e de um mundo inteiro de nomes carinhosos que vem a cada momento. Menos de Júlia. Júlia é nome próprio, e ela não é própria nada ainda, ela é minha gente! Grito sufocada por dentro.)
– Ela precisa atender pelo próprio nome, mamãe. Precisamos trabalhar isso!

Diálogo 2 registrado entre as partes:
– Como ela almoça e janta? Você fica andando com o prato e a colher atrás dela? Ainda a serve na boca?
Longo silêncio em resposta.
(Sim, sim, eu ainda não consigo fazê-la comer sozinha, sentadinha uma refeição inteira quietinha na cadeirinha. Ela até que comia bem acomodada antes de ter uma virose daquelas em janeiro, ficar quase cinco dias sem comer e acabar se acostumando comigo me arrastando atrás dela, mendigando que comesse, pelo próprio bem e para meu desespero de mãe. Aí, a partir de então, o hábito se tornou esse, e dona Júlia é a sultana soberana da hora do almoço. Faz e come como quer, onde quer, do jeito que lhe convier. Pelo menos está comendo, penso derrotada de meus esforços de fazê-la comer direito, dia após dia.)
– Ela precisa comer sem se levantar da cadeira 50X por refeição, e comer com a própria colher, sem receber a comida na boca. Precisamos trabalhar isso!

Diálogo 3 registrado entre as partes:
– Você lê para ela?
– Ela tem uma infinidade de livros!
(Não, não, não! Não consigo mantê-la atenta, presa a uma leitura sequenciada. Ela tem sim muitos, muitos, muuuitos livrinhos. Livrinhos de texturas, de apliques, com buracos de onde saltam coisas, de janelinhas que abrem e fecham, com sonszinhos de bichos e outras coisas e até livro de colar figuras adesivas que ela adora. Ela os manipula com interesse de gente grande, fica um tempão folheando o mesmo livro, aponta as coisas quando dizemos os nomes, mas não, eu não consegui ainda ler uma história inteira pra ela. Sou uma derrotada, sou culpada…)
– Ela precisa se acostumar a sentar na roda na hora da historinha ou da brincadeira sem se levantar do seu lugar umas 50X. E começar a se concentrar mais nas atividades. Precisamos trabalhar isso!

(Como Juju entrou na escolinha em maio com o ano já iniciado, e com a turma já formada, os hábitos comuns são praticados pelo grupo desde janeiro. Ela é uma estranha no ninho. E mais estranha ainda porque entrou “tarde” no “universo escolar” – com 1 ano e 7 meses – em relação a muitas das outras crianças, que já são veteranas no berçário desde seus tenros quatro meses de idade. Boa desculpa verdadeira da mamãe aqui para justificar alguns pecadinhos, que acham?)

– Mas não tem perdão, o veredito é que precisamos alinhar os pontos divergentes que estão presentes na vida da Júlia, praticados em casa e na escola. Ela precisa ser tratada não mais como um bebê em casa, mamãe, porque aqui ela não é mais considerada como tal. Ela está crescida! Conforme-se e nos ajude!

Nooooooooooossa! Juro que sai de lá me sentindo a pior das mães do mundo e me questionando todas a atitudes que tive em relação a Júlia até então (olha a mamãe drama queen de volta aí gente!). Me senti uma criança no banco da diretoria tomando pito, justo eu que sempre fui tão certinha… Demorou um tempinho pra cair a ficha no lugar devido e eu voltar a ser adulta, ver a coisa como devia ser vista e entender que elas estavam ali cumprindo o papel delas. É preciso educar a mãe também. Trabalho duro né?
E não foi pra isso que elas estavam me pedindo que eu a coloquei na escolinha? Heim gente? Para tirá-la do castelo de princesa onde vivia confinada e finalmente sair e ir passear na floresta com tudo que a floresta tem de bom e ruim? Por que a floresta é uma amostra da vida. E eu tenho que soltá-la pra ver como é a vida…

Depois desse dia dolorido, me dei conta que realmente Juju não é MESMO mais neném, e que preciso tratá-la como tal. Olhando inclusive no post anterior a esse, reconheço agora como essa minha atitude inconsciente era forte.

Obrigada, titias da Floresta, prometo que vou tentar “trabalhar a Júlia” em conjunto com vocês! Logo teremos novos dados desse processo em andamento! Prometo que estou me esforçando pra seguir as orientações da lei. Da lei da vida de mãe que tem que deixar o filho crescer!

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  1. Minha linda amiga, é assim mesmo, vc vai se acostumando aos poucos e aceitando também que nossos bebes crescem, mas no fundo no fundo nunca deixam de ser nossos bebes rsrsr, falo isso porque a Laryssa já vai fazer 20 anos e o Dyego 17 e mesmo tendo essa certeza, ainda me pego com esse sentimento e acredito que ele vai comigo enquanto eu viver, lógico que com mais maturidade né afinal a gente tem que disfarçar e deixá-los andar com as próprias pernas, mas é isso no fundo a gente vai crescendo com eles, parabéns Jú e continue compartilhando conosco suas evoluções que tá tudo muito lindo! Beijos com saudades!!!!

  2. É isso aí irmã…o tempo passa…pra nós e pra eles passa mais ainda…….é quase impossível da gente conseguir aceitar que os nossos pequeninos anjos crescem…mais crescem….
    Beijos……

  3. Minha Querida Ju, quem é esta professora maravilhosa??? Aproveite cada minuto das explicações e questionamentos que ela faz p vc. Na falta de “pessoas queridas” junto de vc no dia-a-dia, use esta “Floresta Encantada” como sua orientadora. Amei os questionamentos… Devo confessar que me acalmaram, pois suas ações de SUPERMÃE me deixam na dívida se sou tão “desgarrada” a tal ponto de me assustar com tanto amor. Grande bj. Tia/Vó/Mommy


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