Coisas de primeira vez 5 – (de novo) por que dói tanto deixar o filho ir?

A semana passada até hoje foi hard. Juju decidiu que seria uma semana de rebeldia total:

  • Não quis comer as comidas da mamãe nem da dona Márcia.
  • Quebrou potes e travessas.
  • Deu rasantes de cima do sofá duas vezes, batendo cabeça e fazendo crescer e decrescer galos e roxinhos na testa e narizinho.
  • Derrubou gavetas em cima do dedão do pé e apertou dedos da mão em portas.
  • E fez um estrago grande no lábio, caindo de joelhos e carinha no chão no meio do corredor do shopping, chorando muito, com a boquinha sangrando e deixando a mamãe desesperada junto e tremendo que nem vara verde por quase uma hora até conseguir se certificar que não houveram cortes nem dentinhos prejudicados.

Tudo isso aconteceu na semana que antecede a tão pensada, estudada, adiada, ida de Juju para escolinha. Tia Mariana falou que mamãe deve estar meio pamonha para deixar isso tudo acontecer, mas não. Eu estava atenta como sempre, Juju é que mudou. Ela fez 1 ano e 7 meses ontem. E durante esse tempo sempre houveram alguns dias como esses, onde tudo passa a ser diferente do que era antes. Onde parece que acontecem saltos. Saltos de crescimento, de entendimento, de comportamento. Dias em que parece que ela acelera a compreensão do mundo, os passos, o ritmo de como lida com as coisas, de como as vê. Fica mais rápida, mais sapeca, mais curiosa ainda… E é uma loucura ver esse milagre acontecer assim, diante dos nossos olhos que se assustam. As vezes essas mudanças tem motivações bem marcadas, compreensíveis, tipo uma semana passada na casa da avó, uma viagem… As vezes surgem do nada, no meio da tarde, no ritual do almoço, com uma nova brincadeira feita com um velho brinquedo. Só que dessa vez foi uma sequência pesada de acontecimentos. Nossa, que semana! Talvez seja papai do céu tentando me dizer “Olha, filha, coisas ruins vão acontecer com a sua Juju, está vendo? Mesmo você estando junto dela 100% do tempo, aconteceram. Não vá surtar ou pensar em tirá-la da escolinha quando ela adoecer, chegar mordida, com um corte no joelho, ou roxo na testa, ou brava porque brigou com um coleguinha. ISSO ACONTECE. E isso faz parte da vida. Pára de sofrer, criatura, você já não foi criança, não?”. Tudo bem, Papai do Céu, mas precisava permitir tanta judiação do nenê num espaço tão curto de tempo?

Essa semana se encerrou uma etapa na vida da Juju mamãe e da Juju bebê. Uma etapa em que a vi e acompanhei a cada minuto, a cada descoberta, cada novo olhar e novo movimento. Cada nova dor sentida e chorada e alegria estampada em olhos, sorrisos e gritinhos. Todos os xixis e cores, texturas e frequência de cocos feitos. O que comeu, o que deixou de comer, a que horas aconteceu. Sei o que lhe provocou prazer, estranheza ou repulsa. Está tudo gravado aqui na memória e coração da mamãe. Mas agora ela vai ver as coisas do lado de fora do ninho, exprimir novas reações e ler o mundo sem que meus olhos e minhas mãos e todos os meus sentidos a estejam guiando, amparando, amenizando ou protegendo a cada passo. Segunda, dia 14 de maio Juju começa a freqüentar a escolinha e a viver um novo tempo de brincar junto de outros, de lidar com outras crianças amadas como ela. Começa a entender que há vez, espaço, atenções, e muitas outras coisas que existem, boas e más, maravilhosas e chatas, que não são só suas, que existem para serem divididas, compartilhadas. A coisa chamada vida.

E eu passo definitivamente, irremediavelmente, mas finalmente a compartilhar minha Juju com o mundo. Minha Juju que mantive muito juntinho de minhas asas desde que nasceu, podendo contar nos dedos as ocasiões onde ficamos longe uma da outra ou que ela tenha estado com outra pessoa que não fosse papai ou mamãe… Vai com papai do céu e todos os anjinhos lhe segurando as mãozinhas e lhe guiando os passos.

Ai que difícil. Ai como assusta. Ai como dói. E ai, como sei o quanto é necessário!!! E como vai ser linda e feliz essa nova fase que vem por aí. Esse é o meu presente de Dia das Mães para você, querida. O meu reconhecimento de você, ser independente de mim.

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