Coisas de mãe em crise de consumo 1 – eu preciso comprar isso mesmo?

Ontem o papai da Juju chegou em casa do trabalho com um presente incrível, que encheu Juju de alegria pra mais que uma noite inteira. Um balão em formato de coração vermelho com uma fita bem grande que ele providenciou a parte, para o balão ficar solto até o teto e ser puxado pelas mãozinhas impacientes da nossa pequena. Custou R$10,00. Valeu a alegria e o sorriso do tamanho de um mundo! Não tínhamos ainda, nos passeios aos shoppings cedido ao apelo das lojas caras de balões de princesas, Poohs e personagens etcéteras da vida. Juju curtia os normais mesmo, sem gás, promocionais das lojas, dados de presente para “esparramar” de grátis, graças aos nossos bebês, sua marca pelo espaço de compras.

Isso me fez pensar como as vezes ficamos chateadíssimas por não podermos comprar aquele urso maravilhoso que só falta andar, ou aquele carrinho de bebê de design supersônico que apareceu na novela. Mas que enquanto nossos pequenos ainda são pequenos, na verdade, são coisas muuuuuuito simples que aconchegam, protegem encantam, alegram, entretém. Um carrinho normalíssimo de bebê tá ó-t-e-m-o, um ano vai passar muito rápido, depois ele vai ficar encostado num canto da casa mesmo, até ser doado numa próxima mudança. Uma garrafa pet vazia, um pote fechado cheio de feijão, arroz ou macarrão que balançado faz um barulhão, e é uma novidade fantástica aos olhos e ouvidos dos nossos pequeninos. É muito fácil alegrar um bebê, pelo menos até ele começar a ser vítima como somos da indústria do consumo. E o pior é que começa muito cedo. Minha bebê, com um ano e meio já se manifesta quando no canal da Discovery aparece o comercial dos tais Webkinz. Que horror, que tristeza!!! E o pior é que eu deixo a TV ligada e ela exposta. Mas tem jeito?

Comprar, comprar, comprar. Esse período da chegada do primeiro filho principalmente, ficamos mais consumistas do que nunca. Queremos o melhor, o mais bonito, o mais caro, queremos tuuuuuuuuuudo!!! E o mercado já percebeu isso mais do que nunca e joga pesado com as mamães e com as crianças. Tem tanta coisa, com preços que superam em muito o real valor do produto oferecido, coisas muitas vezes inúteis mesmo, coisas esdrúxulas, mas as quais não resistimos, adquirimos, compramos. E muitas outras vezes sofremos por não poder ter esse tuuuuuuuuudo. Mas o que não percebemos é que para os nossos pequenos nada disso conta. Ainda, infelizmente pois um dia bem breve vai contar. Mas por enquanto, segurança, o leite quentinho vindo de que fonte seja possível, aconchego do colinho da mamãe e do papai, fralda seca e um lugar quentinho pra dormir tá mais que bom. Essas são as suas necessidades, básicas, simples, sem firulas ou frufrus, o resto é necessidade nossa. Precisamos nos lembrar disso com mais frequência.

Precisamos ser mais seletivas, mais simples. Não criar o hábito que cada ida ao shopping signifique a volta pra casa tendo em mãos, seja nas nossas ou na dos nossos pequenos, um brinquedo novo. É muito difícil, mas tenho tentado pensar com mais frequência antes de sacar o cartão de crédito – eu preciso comprar isso mesmo? Minha filha precisa disso ou vai deixar de lado em cinco minutos assim que tiver isso nas mãos? Será que essa facilidade toda de ter tudo na hora em que se deseja não vai gerar um adulto que nunca vai conseguir se saciar com nada?

Ai, ai, ai, essas coisas de mãe em crise de consumo…

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