Galeria

Coisas que deixam a gente de cabelo em pé 2 – desrespeito

Quando nos tornamos mães, adquirimos uma capacidade maior de se indignar e se impor. Ficamos mais legítimas ao exigir respeito porque temos que olhar não apenas por nós, mas pelos nossos, ainda pequenos e indefesos. Ficamos mais cuidadosos com os espaços que as pessoas ocupam ao nosso redor e até onde as permitimos que avancem em nossa área. E por outro lado, também respeitamos mais o outro, na mesma proporção, uma questão básica de empatia.

Nesse período de gravidez e filhos ainda bebês, a forma como somos tratadas pelos balcões da cidade nos fala muito de como anda a educação das pessoas no nosso país. Dias atrás, em um dos grandes supermercados de Campinas, tive aquele tipo de tratamento desrespeitoso com o qual aprendemos a nos acostumar no nosso dia-a-dia. Fiquei muito brava e pela primeira vez resolvi reclamar. E repasso adiante, pois claro que não adiantou nada, mas pela primeira vez registrei minha raiva. Quem quiser fazer das minhas as suas palavras em vivenciar situações parecidas, fique a vontade, sem copyright. Enchamos os SACS deles.

“Boa noite

Esperar um atendimento rápido e simpático nos dias de hoje nas grandes redes de varejo nos grandes e médios centros, com a grande demanda provocada pelo crescimento do consumo das classes que se movimentam na pirâmide social e escassez de mão de obra qualificada – num país de cidadãos iletrados, sub-escolarizados e mal educados – sabe-se ser exigência grande demais por parte do consumidor. Entendo que é preciso maximizar os lucros contratando mão-de-obra que seja apenas o suficiente para atender os plantões, não sendo possível se ater a horários de pico, afinal “o cliente veio num domingo em horário de almoço e ele sabe que vai esperar mesmo”. Acredito que essa deve ser a postura adotada tranquilamente pelos grandes, afinal, nossa carga tributária é absurda e os encargos trabalhistas e as resoluções das convenções sindicais oneram o empregador de tal forma que empregar pessoas extras para esses horários oscilantes fica impraticável.

Para todo esse quadro há uma explicação, mas para falta de educação do funcionário para com o cliente não há desculpa.

Estou entrando em contato com vocês para relatar que estive hoje, domingo, 18 de março, por volta das 11:30h na loja XXXXXXXXX, situada a XXXXXX , XXXXXX, em Campinas, com meu marido e minha filha de 1 ano e 5 meses para a compra de apenas 6 produtos. Não me dirigi ao caixa de atendimento a poucos volumes, com grande fila, e sim a um caixa normal, onde havia um cliente terminando de ser atendido e mais uma senhora na minha frente, tendo apenas uma conta em mãos para pagamento. Vendo isso imaginei que talvez fosse ser mais rapidamente atendida, pois tinha pressa por estar com uma criança inquieta e sonolenta no colo de meu marido, que aguardava já na parte de fora da fila de caixas, enquanto eu aguardava na fila. Findo o atendimento do primeiro cliente a operadora do caixa começou a atender a senhora com a conta a ser recebida. A cliente explica que já havia se dirigido a um outro local indicado e o caixa não estava registrando o recebimento da conta. A funcionária diz que “isso vinha acontecendo mesmo” e prossegue o atendimento, inserindo calmamente o código da conta no sistema. A funcionária recebe o pagamento mas diz que não poderia receber o valor total, que seria de um mil, cento e alguma coisa, pois o caixa só registraria o recebimento do valor de mil reais. A cliente entrega o pagamento em espécie, 20 notas de R$50,00 reais. A funcionária conta e checa cuidadosamente a veracidade de cada nota. Na seqüência, reconta lentamente todas as notas ainda por mais duas vezes. Registra o pagamento, mas parece que o sistema não aceita. Ela recomeça a inserir calmamente um a um os números do código de barras da conta para tentar novamente registrar a conta (não há leitor de código de barras para isso?). Nesse momento eu pergunto o que está acontecendo, por que a demora de mais de dez minutos para a realização de uma operação simples. A funcionária, que até então não havia dirigido o olhar em nenhum momento para mim ou para a fila, que crescia, responde, SEM FAZER CONTATO VISUAL OU INTERROMPER SUA AÇÃO E DE FORMA EXTREMAMENTE GROSSEIRA E MUITO MAL EDUCADA apenas que “estou em atendimento a essa senhora”, e nada mais. Continua a operação me ignorando completamente, sem ao menos se dignar e olhar com quem tinha falado. Digo que estou com um bebê – que ela pode ver impaciente no colo de meu marido em frente ao seu caixa – que está demorando, mas continua a novela e nenhuma resposta ou palavra direcionada ao meu questionamento. Depois de minha reclamação, ela aciona outra funcionária que chega de patins para auxiliá-la. Em nenhum momento olha para mim ou explica que estão com problemas, ou pede que eu aguarde. O auxílio resolve a questão e sou finalmente atendida, depois de esperar por mais de 15 minutos uma simples conta ser paga. Se o supermercado não consegue acampar esse serviço, por favor não o preste. Se está havendo problemas com o recebimentos dessas contas, por favor, alguém o resolva!

Falta de simpatia, demora em filas enormes, ok, estou acostumada, mas um mínimo de cordialidade e atenção em um momento desses teria feito toda a diferença. Em lugar disso, a operadora do caixa, afirmo mais uma vez, foi extremamente grosseira e mal-educada. NÃO ME LEMBRO DE ATÉ HOJE TER SIDO TÃO IGNORADA, DESTRATADA E ATENDIDA DE FORMA TAO GROSSEIRA POR UM PRESTADOR DE SERVIÇO, e gostaria de registrar essa atitude e pedir um mínimo de atenção de vocês, para que esse tipo de situação acontecesse pelo menos com menos freqüência. É desgastante e frustrante passar por isso. Fiquei tão nervosa que não consigo me lembrar do nome da funcionária, mas desejo que ela permaneça sendo operadora de caixa dessa unidade XXXXXX eternamente, porque da forma que me tratou, ela merece ficar na mesma função profissional sem crescimento nenhum para o resto de sua vida. Assim eu teria a certeza de que nunca mais ela iria me atender, porque lá nunca mais volto. Não sei ao certo indicar quem foi a funcionária , mas isso não invalida minha reclamação. Vivemos em um país onde as pessoas não respondem por seus atos nem quando a lei sacramentada existe. Não existe consequência. Ainda mais quando se dá um caso como este. Não tenho ilusões de que algo será feito. E se ao menos essa reclamação for repassada a equipe, certamente a pessoa lembrará da situação vivida. Se ela souber que o cliente RECLAMA SIM quando for mal atendido, talvez seus próximos clientes tenham mais sorte que eu a partir de agora.

Não pensem que sou uma madame maluca, desocupada e encrenqueira. Trabalho desde os meus 14 anos e já desempenhei inclusive a mesma função que sua funcionária, conhecendo bem as grandes dificuldades que o trabalho com público apressado e registro de produtos/ lida com dinheiro apresenta. Sei também que um cliente a mais ou a menos na verdade não faz diferença, e essa será mais uma reclamação que provavelmente vai ficar na caixa postal de algum dos canais de vocês. Mas esse tipo de atitude contradiz tudo o que deveria estar acontecendo numa relação de escolha/aquisição cliente-empresa/marca, que custa tão caro construir de forma positiva num mercado tão competitivo como o atual. Vocês só tem a perder com esse tipo de funcionário agindo nesses termos com seus clientes e atuando em sua linha de frente. Se interrompi meus afazeres e o meu domingo de descanso ao lado de minha família para registrar e enviar essa reclamação é porque a situação vivida realmente me incomodou profundamente. O brasileiro não reclama diante das situações e se acomoda, mas estou cansada desse descaso.

Pelo menos formalizo minha revolta e repasso a alguém, esperando ao menos que esse e-mail seja lido.

Muito obrigada pela atenção, se dispensada.

Juliana Cassab Lopes
35 anos, casada, perfil socioeconômico compatível com público-alvo da empresa, ex-cliente XXXXXXXXX”

Anúncios

  1. Calma minha amiguinha, muita calma mesmo. Este é o brasilzão em que vivemos e a tendência é só piorar.
    Ou vc recebeu alguma resposta da “gerencia geral”?
    Duvideodó!

    • Até recebi, mas de uma atendente péssima, super mal treinada, que teve a coragem de me perguntar, depois de tudo o que descrevi, o que tinha acontecido. Perguntei se ela não tinha lido o e-mail… e quase a mandei plantar batatas.
      Péssima impressão no final das coisas. Como não seria diferente. É isso aí, de chorar mesmo.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s