Coisas que vi e vivi amamentando

Eita assunto sério! Durante a gravidez e depois que o bebê nasce tem sempre um milhão de pessoas pra contar sua própria experiência e ajudar a confundir mais a cabeça da gente, que está muito atrapalhada pelo bombardeio de novidades, pelo cansaço, hormônios em pane e emoções malucas. O pior é que, o que é certo pra elas não se aplica a nossa vida hoje. O que era passado como orientação médica anos atrás, já foi modificado e ninguém atualizou o resto do nosso mundo sobre o assunto.

Antes, “preparava” o peito pra amamentar durante a gravidez passando buchinha, aplicando não sei o quê, etc, etc, etc. Agora, orienta-se expor o peito ao sol, e só. Antes, dava chazinho, aguinha e leite de vaca para o bebê se preciso, agora, água não precisa enquanto se está em amamentação exclusiva, chazinhos nem pensar pois alguns podem até fazer mal, e leite de vaca, de jeito nenhum até fazer 1 ano. Vai explicar isso pra vovós, titias e mais um monte de gente preocupada em volta da gente? Criaram a gente assim e estamos tuuudo aí, inteirinhos e saudáveis.

Como publicitária nunca gostei das campanhas pró-amamentação: uma mulher serena, com cara de felicidade etérea, com seu bebê lindo, aconchegado ao colo, abocanhando tranquilamente o seio e um título grande dizendo “Amamentar, um ato de amor”… Tá, se eu pudesse fazer um anúncio, diria: Vai doer sim, poderá ser bem difícil no começo, mas calma mamãe guerreira, que com muita paciência e dedicação vai dar tudo certo no final! Seu filho não vai se lembrar desse perrengue todo pelo qual vc passou por ele, mas faça isso pela saúde dele, além de que você vai passar menos noites acordada depois, cuidando de febres e infecções. Pronto! Por que não falar a verdade?

A gente sabe que a imagem idealizada de amamentação feliz e tranquila, acontece sim, e é uma experiência maravilhosa demais de se viver, mas depooooois de uma série de situações iniciais com que precisamos lidar. Talvez amamentar seja como um segundo parto: damos luz ao leite, à vida, novamente nessa hora. Umas tem a felicidade de um parto tranquilo, mas outras… O leite não aparece, o bebê não faz a pega correta, a quantidade de leite parece insuficiente pq o filhote não pára de chorar, a vó briga com o pai porque quer dar a mamadeira com fórmula e o pai não quer deixar porque alguém disse pra ele que se o bebê pegar uma vez que seja a mamadeira, abandona o peito, o bico racha, sangra, canais entopem, mama inflama, aiiiiiiiii, um horror!!! E a gente enlouquecida, sem saber o que fazer.

Tive a sorte de o leite descer no tempo certo, da JujuBB não me machucar muito com sua pega, mas um canal entupiu, e mais um, e começou um Deus nos acuda! Com grande desconforto, dor e com um bebê faminto muitas vezes abandona-se a ideia de prosseguir com a amamentação, e muitas coisas conspiram contra. Eu encontrei um apoio fantástico no Banco de Leite de Ribeirão Preto. Engraçado, ou triste, é que até eu ler no blog de uma outra mãe sobre o trabalho dos bancos de leite, ninguém, nem pediatra, ou ginecologista, ou enfermeira do hospital tinham falado dessa opção de ajuda. Comentei depois com minha ginecologista e ela disse num tom de respeito que elas faziam verdadeiros milagres lá. E concordo pelo que vi. Busquei no google o endereço, telefone e lá fui eu buscar socorro. Veja em http://www.hcrp.fmrp.usp.br/sitehc/informacao-galeria.aspx?id=46&ref=2&refV=15

Em Ribeirão Preto, o Banco de Leite onde fui atendida fica na Avenida Santa Luzia, 383 – tel. (16) 3610-2649. E é um serviço gratuito! Encontrei lá Encontrei orientação, enfermeiras e estudantes de enfermagem que fizeram o que podia ser feito pra desobstruir os canais. Solução para não ter que dar mamadeira na impossibilidade da mamada no peito e correr risco da minha pequena gostar mais da facilidade do uso da mamadeira e por falta de estimulo tátil, meu leite secar… Sobre o socorro com a mama que apresenta problema, elas fazem um trabalho excelente. Te amassam, apertam, cutucam, espetam se preciso (aaaai!) até o bendito canal desentupir, quanto dias precisar. Ensinam a usar a bombinha, se for necessário. E oferecem uma alternativa da qual eu nunca tinha ouvido falar, do uso de um cateter (numero 4, vc encontra na Cirúrgica Mafra, em Ribeirão Preto) que no caso da necessidade de ordenha manual ou mesmo de ter que dar fórmula, leva leite pro bebê sugar junto com a mamada. Vc não perde o contato do bebê com seu peito, o estímulo para a produção de mais leite e não corre o risco de dar a mamadeira e ele gostar. Dá um trabalho danado e demora às vezes o bebê engatar a suga, mas na hora que ele pega, vai embora! É meio difícil de explicar, eu ia desenhar, mas encontrei um outro blog, que mostra bem como funciona. Vai lá que vale a pena ver: http://alimentosaudeinfantil.wordpress.com/2008/03/06/para-tudo-tem-jeito-a-pratica-da-relactacao/

Defendo a amamentação, amamentei e continuo amamentando. Desde o começo, sempre na última mamada, tinha que complementar com fórmula, porque a pequena Juju tinha foooooooome de leão. Usei o recurso primeiro por causa do problema que tive com inflamação da mama e depois continuei até sentir total segurança que ela não iria largar meu peito de jeito nenhum. Tanto que ela hoje está com mais de um ano e continua firme, com sua mamada matinal e eu tendo a felicidade de vê-la cheia de saúde. Amo esse momento que tenho com minha filha. É indescritível a sensação e incalculável o bem que a gente faz para o bebê e pra gente mesmo em insistir. A gente só entende mesmo quando passa pela experiência e não adianta ninguém tentar te explicar…

Se precisar de ajuda, peça! Vale a pena.

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  1. Como tia + avó + amiga, não tão velha assim, esse texto não me convenseu!
    “O pior é que, o que é certo pra elas não se aplica a nossa vida hoje. O que era passado como orientação médica anos atrás, já foi modificado e ninguém atualizou o resto do nosso mundo sobre o assunto.”
    Discordo – os bebes e as mamães continuam iguaisinhas – APENAS UMA DIFERENÇA:
    – as de hoje querem “receitas prontas” nos livros + revistas + blogs muderrrrrnos…
    Como é no dito popular – “santo de casa não faz milagres”


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